A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 25/10/2022
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos superficiais e egoístas que regem essa nação. Todavia, no contexto hodierno, a ressocialização de detentos por meio da literatura não se afasta da ficção expressa na escrita do autor. Assim, a negligência estatal vinculada a indiferença do corpo social corroboram para o avanço da problemática.
Precipuamente, é fulcral pontuar o descaso governamental. No livro “Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstain, o autor afirma que " Os direitos constitucionais residem tão somente na teoria". Não distante da perspectiva do escritor, a Constituição Federal de 1988 assegura a educação como algo inerente a todo cidadão brasileiro. Nesse aspecto, a ausência de programas que promovam a leitura nas áreas prisionais, intrínseca com a falta de políticas públicas com o intuito de oferecer informações aos detentos, ocasionam na contribuição da marginalização da comunidade carcerário. Dessa forma, a afirmação do autor se aproxima da realidade contemporânea.
Além disso, o estigma do corpo social ressalta o problema. Segundo o sociólogo Émille Durkheim, a sociedade é um organismo vivo que necessita manter-se unido a fim de encontrar seu pleno equilíbrio. Contudo, no Brasil, é notório a aversão que o âmbito social formenta com os detentos, unida a restrição da divulgação de notícias nas áreas carcerárias, a qual gera um isolamento da população prisional e a deixa restrita a uma área isenta de conhecimento. Desse modo, ocorre a quebra da diretriz solidária proposta pelo estudioso.
Portanto, medidas exequíveis tornam-se necessárias para conter o avanço do problema. O Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução da política nacional de educação, por meio dos governos municipais, deve destinar verbas para o sistema prisional a fim de que ocorra a ampliação de programas que visem inserir a literatura nas prisões. Ademais, os núcleos midiáticos devem promover campanhas que visem diminuir o preconceito com a população carcerária. Dessa forma, atenuar-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema.