A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 04/07/2023
No filme “Um Sonho de Liberdade”, os detentos Andy e Red decidem reformar a biblioteca da prisão, depois de perceberem que a maioria dos indivíduos não tinham educação escolar completa. No entanto, percebe-se que a ficção não é diferente da realidade, uma vez que os presídios não têm sistemas que ajudam na ressocialização dos presos, como a literatura. Dessa forma, é evidente que a problemática cresce não só devido à ineficiência governamental, mas também por causa do ensino precário nas penitenciárias.
Sob esse viés, cabe a analisar a ausência de medidas governamentais para implementar projetos que ajudem na reintegração dos condenados. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve assegurar o direito dos indivíduos, eliminar as condições de desigualdade e promover a coesão social. Porém, isso não ocorre no Brasil, uma vez que diversos presidiários não têm planejamento e instrução para voltar para a sociedade. Consequentemente, a falta de ações do governo de implementar a leitura e outros projetos como medida socioeducativa contribui para a falha do sistema penitenciário.
Além disso, o ensino precário nas prisões também pode ser apontado como promotor do problema. De acordo com concepções da Escola de Frankfurt, a educação deve ter o papel de eliminar a barbárie e buscar a mudança social, entretanto, isso não ocorre. Conforme pesquisas do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, apenas 30% dos presos completaram o fundamental e sabem ler. Diante disso, percebe-se que a instrução insuficiente nas prisões afeta a mudança dos indivíduos e anula a reintegração deles na sociedade com novas formas de trabalhar e estudar.
Portanto, conclui-se que a ineficiência governamental e o ensino precário são os principais pilares do empecilho. Assim, é necessário que o Ministério da Justiça implemente a literatura como forma de ressocialização, por meio de projetos que estimulem a integração e educação dos detentos, com o intuito de melhorar o sistema prisional, preencher as lacunas educativas e ajudar na volta desse grupo a sociedade. Enfim, visando a uma realidade diferente da abordada no filme “Um Sonho de Liberdade”.