A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 27/10/2022
Segundo o sociólogo Betinho, “um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo pela sua ciência, mas sim pela sua cultura.” Tal ideia, no entanto, enfrenta barreiras para ser efetivada, sobretudo no Brasil, em que a falta de investimentos na educação literária como meio de ressocialização de detentos configura um desafio a ser solucionado. Faz-se fulcral, dessa forma, expor a negligência governamental e a omissão midiática como principais responsáveis pelo viés.
Nesse cenário, é preciso expor de que modo a máquina pública opera no revés. Acerca disso, o filósofo inglês John Locke elaborou o conceito de Contrato Social, a partir do qual propôs que os indivíduos cedem sua confiança ao Estado, que, por outro lado, deve garantir os direitos básicos a eles. Porém, no país, esse contrato é diariamente quebrado à medida que as autoridades não ofertam propostas significativas, como políticas públicas que, potencialmente, objetivem promover a reinclusão social de pessoas presas por meio da arte literária. Sob essa ótica, embora a Constituição Federal garanta o direito à educação, o segmento estatal inoperante não cumpre seu papel, viabilizando a marginalização.
Além disso, a displicência da mídia também agrava o impasse. A esse respeito, de acordo com o escritor Peter Drucke, “o saber e a informação são recursos estratégicos para o desenvolvimento de uma sociedade.” Por esse ângulo, a rede publicitária atua como um veículo de informação, contudo, considerável parcela da população não possui o conhecimento sobre a ressocialização de detentos, questão que abre espaço para o preconceito, uma vez que a informalidade não trará oportunidades de inclusão. Logo, a desinformação social deve ser combatida.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para valorizar a literatura como agente de ressocialização de presos. Nesse sentido, o Ministério da Educação - responsável pelas diretrizes educacionais do país - deve implementar o ensino das ciências humanas em presídios, por meio de projetos pedagógicos, como aulas e palestras capazes de estimular o desenvolvimento social. Essa iniciativa teria a finalidade de garantir uma nação culta e igualitária.