A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 06/11/2022
O educador brasileiro Paulo Freire afirmava que “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse contexto, analisando o pensamento e relacionando-o à realidade da educação no sistema penitenciário, percebe-se a necessidade de um olhar mais atento para o seu aprimoramento. É prudente apontar, diante disso, que a literatura deve ser usada como meio para garantir uma liberdade e esperança de transformação da realidade primitiva do mundo prisional, e de integração social do indivíduo.
Em primeiro lugar, é válido frisar que o livro não é somente objeto pedagógico, mas dialoga particularmente com o ser humano. Para entender essa lógica, pode-se mencionar o filme Matilda, no qual, a protagonista utilizava a leitura como uma forma de preencher o vazio causado pelo desprezo dos pais. Desse modo, o acesso à literatura dentro dos presídios ocasiona um sentimento de companheirismo ao prisioneiro, o ajudando no contexto educacional, como também, no psicológico. Como é o caso dos detentos da penitenciária II de Balbinos (SP), que encontraram nos livros, não somente uma instrumento para o conhecimento, mas um amigo.
Em segundo lugar, é importante salientar que a literatura, no âmbito da reeducação de prisioneiros, acaba sendo um meio para a inclusão dos detentos na sociedade. Parafraseando uma matéria do Brasil Escola: o nível educacional dos detentos geralmente é baixo quando condenados, reduzindo ainda mais seus atrativos para o mercado de trabalho após cumprida a pena. Desse modo, políticas públicas podem ser significativas para prepará-los, considerando sua importância para um retorno bem sucedido à sociedade.
Portanto, são necessárias medidas que ajudem no processo de inclusão dos detentos. Sendo assim, cabe ao Estado juntamente com o Ministério da Educação investir em projetos educacionais, por meio da instalação de pequenas bibliotecas em presídios - podendo ter parcerias com livrarias, garantindo uma colaboração mútua -, que deverão ser utilizados como uma ferramenta de alfabetização e lazer. Feito isso, o sistema poderá garantir uma forma de agregar esses indivíduos à sociedade, para que não se sintam à mercê no mundo.