A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 01/11/2022

O conceito de “Tábula Rasa”, proposto pelo liberalista John Locke, afirma que todos os homens nascem desprovidos de conhecimento e precisam do contato externo para serem moldados. Essa ideologia, entretanto, não se reverbera no Brasil quando se observa o abandono e a negligência vivenciados pelos detentos, sendo destituídos de livros literários que atuem como forma de aprendizagem e ressocialização. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura.

Em primeira análise, vale destacar o pensamento do filósofo Sêneca, em seu livro “Um olhar sobre a educação do homem moderno”, no qual ele afirma que a educação influi sobre toda a vida e exige os maiores cuidados. Nesse sentido, o acesso à literatura como forma de expandir a construção do conhecimento e da cultura deve ser ampliado. Esse panorama, entretanto, é pouco observado na sociedade brasileira, uma vez que os recursos financeiros e educacionais, destinados para a formação de detidos engajados culturalmente, são negligenciados, impedindo o estímulo à reflexão e às habilidades sociais, fatores essenciais para que essa parcela populacional se torne mais consciente.

Ademais, vale ressaltar que, de acordo com o site da Globo, G1, o incentivo à leitura na penitenciária II de Balbinos, São Paulo, ajudou na ressocialização e motivação de detentos. Nesse viés, os conteúdos motivacionais e críticos presentes nos livros influenciam na reintegração de presidiários na sociedade, visto que os livros podem influenciar no âmbito emocional e no desenvolvimento da esperança. Desse modo, os indivíduos retornam para a sociedade carregando valores e aprendizagens.

Verifica-se, então, a necessidade de ampliar os recursos literários como forma de ressocialização de detentos. Para isso, cabe aos Estados, por meio de leis e investimentos, estabelecer políticas público-privadas que auxiliem a máquina administrativa na propagação de obras literárias e auxílios financeiros nas penitenciárias, com o intuito de disseminar o conhecimento e a moralidade entre os detentos. Além disso, é fundamental que o Ministério da Educação e da Cultura, através de palestras e debates nos presídios, incentive a leitura e a aprendizagem, de maneira que o pensamento de Sêneca seja evidenciado.