A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 05/11/2022
Durante a Idade Média, o acesso aos livros era limitado e a população camponesa majoritariamente composta por analfabetos. Com o passar do tempo, a prática da leitura foi mais difundida na sociedade, tornando-se, inclusive, um importante meio de ressocialização de detentos, em razão do seu caráter educacional. No entanto, a população carcerária ainda enfrenta impasses para o acesso à literatura, principalmente pela falta de infraestrutura das penitenciárias.
Antes de tudo, é preciso observar a importância da literatura na educação. A esse respeito, o filme “Escritores da liberdade” conta a história real de jovens em uma periferia estadunidense que, inspirados pelo contato com diferentes histórias do universo literário, passam a enxergar novas formas de acensão social, abandonando a criminalidade. Nesse sentido, é possível traçar um paralelo entre a realidade dos detentos brasileiros e os fatos expostos no filme, uma vez que estes indivíduos também podem ser apresentados a novas perspectivas de vida por meio dos livros, o que contribui para despertar a busca por ações e vivências opostas aos delitos cometidos anteriormente.
Outrossim, é válido pontuar a situação do ambiente carcerário no Brasil. Nesse horizonte, a constituição federal de 1988 garante o acesso à educação de qualidade nas penitenciárias. Contudo, dados do INFOPEN, Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, apontam que a realidade do país diverge daquela prescrita pela legislação vigente, pois as bibliotecas não contemplam todos os presídios do território nacional, revelando problemas na infraestrutura educacional desses espaços. Tal contexto chama atenção para a problemática de que, se nada for feito, detentos brasileiros permanecerão sem usufruir de um direito constitucional e dos benefícios da leitura.
Portanto, cabe ao governo, na condição de garantidor dos direitos individuais, fomentar o acesso à literatura entre os detentos. Tal ação deve ocorrer por meio de investimentos na construção de bibliotecas bem estruturadas em todos os presídios do país, com o objetivo de despertar nas pessoas privadas de liberdade a busca por novas aspirações sociais que os distanciem da criminalidade. Assim, a ressocialização dos detentos será impulsionada pela literatura no Brasil.