A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 05/11/2022

Segundo Nelson Mandela, líder do movimento contra o apartheid: " A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo". Esta mudança à qual ele se refere tem como objetivo transformar o pensamento e as atitudes do cidadão através não somente da educação mas também da cultura, contribuindo assim para uma comunidade mais próxima da ideal. Contudo, com a consciência de que o incentivo aos importantes aspectos supracitados colabora para a melhoria da sociedade, os órgãos brasileiros capacitados devem tomar as medidas necessárias para tal mudança, a começar pelos presídios, na intenção de promover a ressocialização dos detentos.

Em primeiro lugar, a falta de estímulo aos jovens e adultos a leitura promove o desinteresse pelos livros e pela possibilidade de ascensão social. O site G1 apresenta uma pesquisa que mostra que a maior parte da população carcerária é negra, proveniente de comunidades que são tratadas com descaso pelo governo, fazendo com que os indivíduos já marginalizados pelo local de moradia, recorram ao mundo do crime na esperança de conseguir sustento financeiro para a sobrevivência da família.

Em segundo lugar, a literatura tem capacidade de gerar esperança entre os presos apresentando a chance de se conquistar a liberdade e construir uma vida digna a partir dela. Foi pela leitura e estímulo ao estudo que Fabiana Escobar, mais conhecida como Bibi Perigosa após cumprir sua pena se graduou em direito e escreveu seu livro contando sobre o período em que viveu com o marido traficante. Hoje ela é reconhecida e inspira mulheres em situação semelhante a estudarem.

Logo, é evidente que a literatura é essencial no processo de preparação do detento para uma vida fora das grades. Dito isto, o Ministério da Justiça e o Ministério da Educação devem trabalhar em conjunto tendo em vista a ressocialização dos presos, promovendo projetos de leitura e palestras com ex-detentos que ascenderam através dos livros e oferecendo a oportunidade da redução de pena por trabalhos e pesquisas relacionados as obras, tornando possível a redução da taxa de antigos detentos que voltam a cometer crimes e aumentando a chance de uma vida comum pós prisão.