A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 06/11/2022

De acordo com Émile Durkheim, sociólogo francês, “o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições das quais depende”. A partir dessa frase, é viável notar uma relação direta com o fato de que a literatura - arte embargadora de áreas como, por exemplo, filosofia, sociologia e psicologia - é um mecanismo para a ressocialização de detentos, uma vez que, o acesso ao conhecimento leva o indivíduo a ter uma compreensão aprimorada da realidade. Apesar disso, a literatura não é implementada em sua totalidade, dado um déficit educacional.

À princípio, vale reconhecer os benefícios da arte literária. Consoante ao educador Paulo Freire, em seu conceito “Pedagogia da autonomia”, a educação é uma ferramenta auxiliadora na criação de consciência política, sociocultural e econômica nas quais o sujeito vive. Nessa perspectiva, ao considerar que a literatura faz parte do âmbito educacional, fica evidente o potencial de ressocialização de detentos dela, na medida em que, ela desenvolve a mentalidade do indivíduo, implicando novos pensamentos e questionamentos. Dessa maneira, a utilização de clássicos literários concede a passagem de conhecimentos já vivídos por outrem, ajudando, assim, na regulagem da régua ética do presidiário.

Por outro lado, infelizmente, o campo literário sofre um desencorajamento por parte do Estado. Nesse panorama, pela falta de investimentos na qualidade bibliotecária das escolas, de ensino fundamental e médio, configura-se o comportamento omisso do Governo, promovendo, em outro momento, a falta de interesse dos jovens. Dessa maneira, os órgãos governamentais contribuem para a persistência da lacuna de implementação literária na formação do cidadão desde a menoridade.

Portanto, é imprescindível desenvolver ações vinculadas capazes de lidar com o quadro. Cabe ao Poder Legislativo - órgão regulamentador - e Poder Executivo - órgão administrador -, respectivamente, criar a “Lei de acesso à literatura” e investir no armazenamento da biblioteca das instituições, de ensino e prisional, por meio da votação do plenário, a fim de contribuir para o interesse dos jovens e presidiários e, também, impedir a falta de recursos para a literácia.