A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 07/11/2022

Consoante o escritor português José Saramago, a literatura, a partir de um conjun-to de reflexões e sentimentos, estimula a ação dos indivíduos sob um âmbito glo-bal. Dessa maneira, a leitura caracteriza-se como uma efetiva forma de ressociali-zação de detentos. Entretanto, a desvalorização da literatura e o silenciamento da questão são fatores que dificultam o uso do saber literário no sistema carcerário.

Sob essa perspectiva, é interessante salientar a desvalorização do potencial educa-cional da literatura. Durante a 3ª geração romântica, a poesia de Castro Alves, mar-cou o século XIX, uma vez que seus textos tinham o intuito de denunciar a condição dos escravos daquele período e, por meio da reflexão lírica, instaurar o pensamen-to abolicionista na população brasileira. Nesse sentido, é possível perceber que a li-teratura não dissemina apenas anseios artísticos, e sua desvalorização acarreta prejuízos à construção da identidade cultural e intelectual dos indivíduos.

Ademais, é essencial pontuar o silenciamento da questão. Segundo Steve Jobs, os meios de comunicação têm a capacidade de ascender o senso crítico e os inte-resses da população, sendo, dessa forma, uma ferramenta para a resolução de problemáticas modernas. No entanto, contrariamente ao pensamento de Steve Jobs, as mídias não abordam questões voltadas à ressocialização dos presidiários através do saber literário, propiciando a escassez de debates e negligenciando o problema.

Portanto, é necessária a intervenção do Estado - responsável por ressocializar as pessoas privadas de liberdade - mediante projetos de incentivo à leitura nas escolas e no âmbito do sistema prisional, ampliar o uso da literatura como meio de reinserção de detentos no corpo social e estimular debates acerca de seu caráter e-ducacional. Tais ações são propostas a fim de promover uma ressocialização efeti-va e orientar a sociedade a respeito da importância da leitura.