A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 08/11/2022

Ao observar a Constituição Federal de 1988, nota-se como a garantia de um desenvolvimento nacional e a construção de uma sociedade justa são cruciais para o alcance de uma república ideal. No entanto, a presença da entraves na ressocialização de detentos por meio da literatura dificulta a validação dos princípios constitucionais, dado que o fato é visto como um assunto frequente e banal. Nessa ótica é pertinente ressaltar a marginalização como fonte do problema - visto que promove uma barreira na inserção da literatura para pessoas privadas de liberdade.

Nesse sentido, é válido reconhecer como a marginalização prejudica a mitigação do obstáculo dado que para a população o detento tem um único papel social, que no caso é pagar pelos seus crimes. Sob esse prisma, a antropóloga Ruth Benedict afirma que a cultura é a lente pela qual a sociedade enxerga, isto é, o ambiente expõe valores adquiridos no convívio social. Partindo desse pressuposto, inserido em um meio que, banaliza a problemática e, permite sua continuidade, o cidadão tende a padronizar esse cenário como um fator normal - de modo a potencializar uma apatia social e, lamentavelmente, o encadeamento do problema.

Por conseguinte, infere-se que a negligência instalou-se na coletividade ao passo que o corpo social não vê com sobriedade que essa barreira na inserção da literatura para a população carcerária só dificulta a ressignificação do indivíduo diante da sociedade. Nesse viés, segundo a literatura barrosiana, conforme a “teologia do traste”, é crucial que o indivíduo valorize as questões ignoradas pela comunidade, a fim de obter uma mudança na esfera social. Entretanto, o cidadão brasileiro, frente ao dilema não dá a devida relevância, ignorando o assunto e corroborando com a “teologia” de Manoel de Barros.

Portanto, é necessário atenuar o quadro vigente. Para tanto, o Estado - responsável pela harmonia social - deve implementar programas de incentivo á leitura dentro dos presídios. Essa medida será cumprida e efetivada por meio de políticas educacionais, com a finalidade de que a literatura contribua para uma ressocialização mais efetiva. Dessa forma, o retorno dos presos através da literatura, será uma realidade nacional.