A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 07/11/2022
“A essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase da filósofa Hannah Arendt aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne à questão da garantia plena de cidadania no Brasil, por meio da literatura como fator de ressocialização dos detentos, verifica-se uma lacuna na manutenção desse valor tão indispensável. Nessa circunstância, torna-se evidente como causador do problema ineficiência governamental e o silenciamento midiático.
A princípio, identifica-se que as ações governamentais de acesso a ressocialização no Brasil são falhas. Acerca disso, segundo um estudo da Fundação Perseu Abramo, estima-se que 76,12% dos encarcerados não conseguem se ressocializar, pois ainda há muitas negligencias por parte do Estado em mudar essa realidade. Porém, entre os que conseguem se readaptar a sociedade, 84,18% tiveram como fator de incentivo o pleno acesso a livros. Esse fato aponta para a necessidade de se criar um projeto de democratização da literatura a fim da reintegração social dos detentos. Logo, é indispensável mudar essa realidade.
Outrossim, o silenciamento da grande mídia tem contribuído para a validação desse algoz. Nessa ótica, conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado como um instrumento de democratização, não deveria ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Por conseguinte, pode-se considerar que a mídia, em vez de promover debates que incentivem a doação de livros aos sistemas prisionais, opta por consolidar esse inconveniente ao tornar esse problema invisível. Dessa maneira, é necessário que o setor midiático adote uma visão de alteridade para com os “marginalizados”. Em suma, é oportuno discutir essa problemática.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se contrapor a essa “ditadura”. Para isso, é considerável que o governo, recorrendo ao Ministério da Cidadania, desenvolva ações que garantam a plena ressocialização com o auxílio literário. Tais ações devem ocorrer em todas as mídias, por meio da produção de vídeos conscientizadores a respeito do estimulo a doações de livros aos presos e da garantia do pleno desenvolvimento deles. O efeito dessa prática consiste na consolidação da pluralidade no Brasil, como defende Bourdieu.