A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 09/11/2022

Com o advento da imprensa no século XV, o acesso a livros deixou de ser privilégio apenas das classes mais ricas, feito esse que mudou sociedade para sempre, corroborando para o surgimento de diversos movimentos na sociedade, como é o caso da Reforma Protestante. Sob essa perspectiva da literatura como ferramenta para transformar a sociedade, pode-se afirmar que os livros, devido ao seu poder cultural e a sua influência, têm o papel de agir como meio de ressocialização de detentos.

Em primeira análise, é necessário compreender o poder cultural como forma de ressocializar os presos. Consoante o sociólogo Pierre Bordieu, a sociedade encontra-se hierarquizada por relações de poder pautadas não só pelo capital mas também pela cultura. Análoga a ideia do pensador, depreende-se que a literatura é uma fonte de poder cultural, assim sendo, os prisioneiros que possuem acesso aos livros têm maior chance de, através dessse poder cultural, obter ascenção social e ressocialização. Desse modo, fica evidenciada a importância de possibilitar o hábito de leitura na vida dos penintenciários para que os mesmos ususfruam da cultura como meio de se estabelecerem novamente na sociedade.

Além disso, há a influência da educação sob o indivíduo como modo de reinserir pessoas presas no meio social. A esse respeito, a frase do filósofo Pitágoras ‘‘Eduquem as crianças para que não seja necessário punir os adultos’’ permite deferir que a educação, sendo a literatura parte dela, é o aspecto essencial para garantir a ressocialização dos detentos assim como é um ponto decisivo para evitar a reincidência criminal.

Assim sendo, tendo em vista a ressocialização dos presos por meio da literatura, medidas devem ser instauradas. Portanto, cabe ao Estado, sob a figura do Ministério da Justiça, promover programas de leitura para detentos nas prisões, de modo que tais programas também promovam uma determinada diminuição de pena dos criminosos integrantes, com o objetivo de estimular o acesso à educação aos detentos. A partir disso, os detentos poderão conquistar poder cultural e por consequência realizarem a ressocialização adequada.