A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 23/06/2023

Assim como os Capitões de Areia, milhões de brasileiros crescem em condições subhumanas que incapacitam o desenvolvimento de uma visão de futuro. A falta de oportunidades torna a educação em uma figura distinta e incapaz de resgatá-los da pobreza. Entretanto, o vazio deixado pelos livros é rapidamente preenchido pelo crime.

Fundamentalmente, o encarceramento tem o objetivo de devolver ao preso a aptidão para viver em sociedade. Todavia, a realidade do sistema prisional brasileiro conta com violência, analfabetismo, e facções. Fatores que não só impossibilitam a ressocialização, mas levam o Brasil a uma das maiores taxas de reincidência do mundo. Ao invéz de abrir os olhos dos detentos à chance de uma vida digna, a prisão recria as mesmas condições que inicialmente levaram ao crime.

Apesar da literatura não ser capaz de imediatamente proporcionar qualidade de vida, os livros ensinam aos presos o poder da leitura, fala e escrita. A exposição a perspectivas diferentes permite que a educação se revele como um meio de reintegração social. Assim, conforme as oportunidades provindas do conhecimento afloram, o crime revela as suas contradições e a esperança de uma vida melhor renasce, um leitor de cada vez.

Portanto, é necessário que o sistema presidiário retorne à sua proposta primordial de ressocialização. Tão importante quanto a presença de um amplo acervo literário, é a disponibilidade de cursos de alfabetização nos presídios. Ademais, devem ser criadas áreas de discussões para que haja um incentivo coletivo à leitura. Somente assim o poder contagiante do conhecimento pode continuar inspirando homens e mulheres à buscar uma vida digna.