A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 02/07/2023

O artigo 6 da Constituição Federal prevê a educação como direito inerente a todo cidadão brasileiro. Analisando o cenário prisional, porém, é perceptível que esse não é um aspecto colocado em prática em larga escala, visto que a maioria dos presos não tem muita facilidade em acessar a educação. Considerando a literatura como um dos pontos fundamentais para a educação, é inegável a necessidade de utilizá-la para combater a falta de conhecimento e como forma de transformar a visão dessas pessoas sobre o mundo, sendo possivel contornar essa grave questão social.

Primordialmente, é indiscutível que grande parcela do público prisional do Brasil não tem acesso a livros e materiais de ensino, o que escancara questões como o desinteresse governamental em democratizar e ampliar o acesso a esses artigos. o filósofo grego Aristóteles traça a leitura como o meio mais rápido de alcançar o conhecimento, sendo, portanto, de suma importância que medidas sejam tomadas para modificar esse crítico quadro.

Outrossim, é necessário olhar para a literatura como um fator determinante para a mudança de pensamento desses detentos, possibilitando assim que a ressocialização ocorra. A reincidência criminal está na taxa de cerca de 21% para o primeiro ano após a soltura, realidade preocupante que pode vir a sofrer diminuição a partir de ações socioeducativas. A escritora londrina Virginia Woolf define o ato de ler como algo capaz de transformar o mundo, o que o torna indispensável para que as pessoas privadas de liberdade possam ter a chance de modificar a sua situação, tornando viável uma vida longe dos erros passados.

Por conseguinte, é indubitável a necessidade de o governo ampliar o acesso à sapiência por meio da distribuição de livros, a fim de possibilitar a reconexão dos presidiários com a sociedade, dando-lhes novamente espaço para habitar como indivíduos livres. É também função governamental a criação de mecanismos de circulação desses livros, permitindo que o conhecimento seja compartilhado entre esses detentos da forma mais funcional possível. Somente buscando medidas viáveis para pôr em prática os aspectos constitucionais o governo conseguirá garantir os direitos dos cidadãos.