A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 28/06/2023
Atualmente o Brasil é o terceiro maior país em número de encarceirados, apresentando centenas de milhares de pessoas nessas condições. Tal problema deve, urgentemente, ser analisado sob a óptica da ressocialização, pois, após cumprida a pena, essas pessoas retornarão à sociedade. Experiências mostram que o contato do detento com a literatura contribui para uma ressocialização mais exitosa, visto que essa fase comumente é traumática. No entanto, dificuldades de infraestrutura de presídios e desinteresse dos presos podem ser impecilhos para essa abordagem.
Primeiramente, é preciso destacar que para fornecer o devido contato do transgressor com a literatura, não basta apenas suprir os presídios de livros, mas, principalmente, de professores que possam ensiná-los a ler e a gostarem de ler. Ademais, é preciso que a literatura apresentada seja compatível com as experiências vividas até então por essas pessoas, pois, caso contrário, não haverá elo que os conecte com a literatura.
Além disso, é preciso combater o desinteresse generalizado que a sociedade, inclusive os encarceirados, tem com a literatura. Para tanto, abordagens lúdicas, como clubes do livro, e abordagens recompensatórias, como diplomas
e certificados, devem ser introduzidas nos presídios para que dessa forma seja instigado o interesse pela literatura nessas pessoas.
Diante do exposto, as ações devem ser norteadas pela máxima do filósofo Sêneca: “Seja escravo do saber e será verdadeiramente livre”. Dessa forma, visando a melhor ressocialização da população carcerária, o Ministério da Justiça deve fomentar a literatura nos presídios por meio de contratações de funcionários para trabalharem nessas localidades ensinando a leitura. Ademais, o Ministério da Educação deve criar parcerias entre faculdades e presídios para que os alunos realizem seus estágios supervisionados nas prisões, ensinando os detentos a ler e a se interessarem pela leitura.