A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 08/09/2023

Na música diário de um dentento’’ do grupo de rap Racionais Mc’s, lançado no ano de 1997, sobre o dia-a-dia de um detento. Com foco no dia antes do macssacre na penitenciária do carandiru em 1992, é notavél que o estado não fornecia recursos para a reeducação das pessoas privadas de liberdade. Nesse contexto, é importante entender que a desigualdade social e a falta de investimentos políticos na área da educação para presos são fatos que contribuem para que a ressocialização de detentos por meio da leitura seja um desafio para a sociedade brasileira.

A princípio vale ressaltar que a desigualdade social e consequentemente, educacional torna a criação do hábito da leitura um desafio para a população do Brasil - dentro e fora dos presídios. Tal problema ocorre porque a maior parte da população privada de liberdade é oriunda de favelas, ou seja, tiveram uma base de ensino defasada - o que contribui para que muitos escolham o mundo do crime. Assim, o déficit educacional gerado por essa desigualdade é, infelizmente, enorme e muitos jovens saem das escolas sem ter contato com a leitura. Dessa forma, nota-se que a base de uma sociedade minimamente igualitária em direitos começa na educação.

Além disso, é necessário ressaltar também que a falta de investimentos na educação dos detentos dificulta a ressocialização dessa população. Isso ocorre porque, por serem cidadãos que estão à margem da sociedade, o governo não fornece as ferramentas necessárias para reeducação social. Com isso, dados do Ministério da Justiça mostram que apenas 13% dos presos no Brasil - de cerca de 900 mil- têm acesso a educação e leitura no periodo de detenção. Dessa maneira, é necessário um maior investimento em políticas educacionais.

Diante do exposto, nota-se a necessidade de melhorar o acesso à educação dentro dos presídios. Logo, a fim de possibilitar uma ressocialização efetiva dos detentos, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da justiça, por meio da criação de escolas para detentos - com a grade comum curricular - e também promover a reeducação com oficinas de leitura e debate sobre temas que envolvam ética e normas sociais, democratizar o acesso à educação, porque segundo o educador Paulo Freire ’’ A Educação Transforma’’ e a população privada de liberdade necessita dessa transformação educacional e cultural.