A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 16/10/2023

Segundo Milton Santos, um dos maiores geógrafos do Brasil, o sistema não foi feito para que pobres e negros alcançassem o poder. Diante dessa narrativa, é pos-sível analisar o sistema carcerário brasileiro - em expansão e com altas taxas de re-incidência. Indubitavelmente, é com ensino e leitura que se quebra um ciclo social vicioso como esse, mas essa solução não é a aplicada no Brasil.

De início, é importante observar que a literatura como ressocialização de deten-tos é uma das principais barreiras para a reincidência de crimes. Dessa forma, pre-sídios com acesso a livros são extremamente eficazes em mudar perspectivas de a-prisionados. Corroborante com a ideia, relatos obtidos pelo portal eletrônico “G1” dentro do presídio de Balbinos (SP) - onde foram disponibilizados 30 livros a qual-quer interessado - mostra um grande impacto positivo da leitura. Segundo Paulo Freire, patrono dos professores no Brasil, somente a educação pode libertar. Nesse viés, fica claro como que é dever da sociedade apresentar novos caminhos aos marginalizados.

Outrossim, a grande maioria dos crimes são cometidos por pessoas em situa-ção de vulnerabilidade social e/ou econômica. Por certo, esses delitos poderiam ser evitados ou corrigidos com o uso da literatura. De maneira geral, os delinquentes possuem características semelhantes: homens, pretos ou pardos e inseridos em comunidades com falta de infraestruturas e sem perspectivas. Certamente, nos moldes carcerários atuais, após cumprida a pena, seu ambiente e seus horizontes permanecem os mesmos. Desse modo, cabe à sociedade a obrigação de expandir o alcance intelectual através da educação. Assim, o cárcere, como ambiente to-talmente controlável, seria a oportunidade ideal para tal empenho, introduzindo novos ideais a esses com a simples disponibilização de livros.

Portanto, é preciso que o governo, por intermédio do Ministério da Justiça e Segurança Pública - órgão superior da federação, responsável pela gestão das penitenciárias - se encarregue de disponibilizar livros nas cadeias. Ainda, é necessário ação conjunta com os estados e municípios a fim de compreender as particularidades e desafios de cada região, para que, somente assim, seja possível reduzir as reincidências criminais e ressocializar esse grupo vulnerável.