A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 01/09/2026

Em “O Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein denuncia a restrição dos direitos à teoria, visto que garantias legais não chegam a todos no Brasil. De modo analógico, nota-se que a manipulação de imagem nas redes sociais compromete gravemente a saúde mental no país, privando milhares de cidadãos de bem-estar. Expostos em cada dia a filtros e padrões estéticos irreais, muitos jovens internalizam uma autoimagem distorcida, elevando os índices de ansiedade e depressão. Sob esse prisma, urge o debatedor tanto a inércia estatal quanto o estigma cultural que agravam essa realidade.

Em primeira análise, a missão governamental agrava o problema, pois inexiste regulação eficaz das plataformas digitais no país. A esse respeito, Thomas Hobbes sustenta que o Estado nasceu de um pacto social cujo dever primordial é zelar pela integridade dos cidadãos. Ao não fiscalizar algoritmos que lucram com padrões inatingíveis, no entanto, o poder público rompe esse pacto e ignora as mais vulneráveis. Como consequência direta, o adoecimento psíquico se converte em problema de saúde coletiva, sobrecarregando o SUS e reduzindo a produtividade de toda uma geração.

Outrossim, o estigma cultural intensifica os danos, uma vez que a sociedade valoriza a imagem editada como sinônimo de sucesso e pertencimento. Nesse sentido, Pierre Bourdieu considerou a violência simbólica como a imposição de padrões que a própria vítima aceita como legítima. Isso se verifica quando o corpo social aplaude corpos irreais e ridiculariza sistematicamente quem foge do ideal imposto. Por consequência, cria-se um ciclo de comparação e autodepreciação que sabota a autoestima e amplia o isolamento dos afetados.

Portanto, urge romper a inércia estatal e os estigmas que perpetuam esse quadro preocupante no Brasil. Para tanto, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, ampliar o atendimento psicológico e promover a educação digital nas escolas. Em conjunto, o Legislativo deve destinar-se verbalmente e fiscalizar as plataformas, evoluindo para coibir padrões contratados. Feito isso, os direitos denunciados por Dimenstein deixarão o papel, garantindo saúde mental a cada indivíduo.