A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/01/2021

No filme ‘‘Corrida Mortal’’, é mostrado como o protagonista finge ser outra pessoa para poder enfrentar a realidade na qual se encontra. Todavia, não é somente na ficção que indivíduos tentam se passar por alguém diferente, posto que, segundo uma pesquisa realizada pelo Estado de São Paulo mostra que, dois de cada três brasileiros buscam mudar sua aparência e esse número é ainda maior quanto se trata do ambiente das redes sociais. Desse modo, cabe debater como esse comportamento de autodepreciação pode ser maléfico para a população e quais medidas devem ser tomadas para combater esse problema.

De início, deve-se destacar que, para o filósofo Epicteto, um dos segredos para se alcançar o equilíbrio mental é a aceitação de suas falhas e a não comparação com os outros. Ademais, esse pressuposto pode ser comprovado ao analisar que, de acordo com uma reportagem do jornal Época, as crescentes postagens de imagens, em especial, de momentos que apresentam a sensação de uma vida perfeita estão diretamente relacionadas aos altos indices de depressão e ansiedade dos internautas. Dessarte, as comparações que as mídias sociais proporcionam , somado aos efeitos que ‘‘melhoram a imagem do usuário’’ e as postagens de somente momentos bons, contribuem para o surgimento de doenças mentais relacionadas ao excesso de depreciação e insatisfação.

Em segundo lugar, vale ressaltar que, segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é como uma ação que por ser muito recorrente é tida como correta e, por isso, tende a ser repetida pelos demais membros dessa comunidade. Outrossim, essa concepção mostra outro problema da manipulação de imagens nas redes sociais, dado que, o compartilhamento de ‘‘selfies’’ deste gênero fomentam para a publicação de mais artigos desse contexto, o que contribui para a consolidação da disparidade entre a realidade e o mundo idealizado das mídia. Dessa forma, a consolidação e a imposição social desta exposição de uma vida perfeita favorece com que haja a perpetuação desta prática e, por consequência, o mantimento de seus malefícios para os brasileiros.

Portanto, ao analisar os problemas causados por essa mazela, cabe apresentar medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe o Ministério das Comunicações criar campanhas e ações que sejam capazes de reduzir e conscientizar sobre essa prática. Isso pode ser feito por meio da destinação de verba pública para propagandas que mostrem informações com relatos pessoais de como tais comportamentos afetam a autoestima de quem os realiza e apresentem como a aceitação contribui para a redução tanto deste ato como de seus malefícios. Dessa maneira, será possível formar uma sociedade mais felizes e com menos problemas mentais.