A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 13/11/2020
Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário da manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental:uma inércia que perdura em detrimento do individualismo humano, intimamente ligado ao ego, além do uso indiscriminado de medicamentos. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.
Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas a distorção de fotos no ambiente cibernético não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade. De maneira análoga, tal individualismo, atrelado à tecnologia e ao fetichismo dos estereótipos atuais, promove a manipulação do corpo - como “afinar” a cintura, “apagar” manchas da pele - em imagens compartilhadas, com o intuito de propagar constituições físicas julgadas como esteticamente perfeitas. Por conseguinte, condutas como essa reforçam padrões errôneos, provocando a não aceitação de si e promove indivíduos frustrados e submissos ao cenário vigente.
Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: a atual conjuntura da procura, cada vez maior, por remédios de emagrecimento é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Outrossim, tal subordinação à drogas que prometem efeitos desejáveis - e muitas vezes inalcançáveis - corrobora em uma alienação da sociedade ao seu consumo exacerbado, o que provoca alterações metabólicas que podem causar sérios problemas, como o acidente vascular cerebral (AVC), potencializando, progressivamente, avarias à saúde mental.
Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Dessa forma, urge que a mídia, por intermédio de propagandas, seriados e filmes, desconstrua paradigmas vigentes associados ao corpo perfeito, visando erradicar estigmas que adoecem a nação. Além do mais, é necessário que o Ministério da Saúde instigue a substituição de remédios emagrecedores - a não ser quando indicados por médicos - pela prática de exercícios físicos, por meio de campanhas educativas que elucidem seus efeitos colaterais ao organismo humano, para que a sociedade extinga práticas rotineiras danosas, a fim de tratar de sua saúde física e mental. Assim sendo, alcançar-se-á um corpo social mais saudável e menos submisso, pois como alegou Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.