A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 02/10/2020
Muitos estudos têm relacionado o tempo de uso da internet com questões de saúde mental. Depressão, transtornos alimentares e suicídio parecem estar diretamente ligados a vida online. A manipulação de imagens com o intuito de aparentar ter uma vida sem defeitos é apenas um dos motivos que estimulam a permanência cada vez maior dos jovens nas redes e, ao mesmo tempo, corroboram com maiores índices de distúrbios e transtornos que afetam a saúde mental dos indivíduos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de racionalidade por parte do usuário aliado ao silenciamento à nível social sobre a temática nas redes sociais e seus malefícios, impedindo, desse modo, a resolução desse impasse.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de racionalidade presente na questão. De acordo com estudos da Instituição de Saúde Pública do Reino Unido, redes sociais são mais viciantes que cigarro e álcool e, dentre elas, o Instagram foi avaliado como o mais prejudicial à saúde mental dos jovens. Tal fator pode ser explicado pela quantidade exacerbada de imagens manipuladas e editadas, promovidas pela empresa, que contribuem para que os usuários estejam em uma constante disputa pelo melhor filtro e pelo maior número de likes. No entanto, esse comportamento, no âmbito virtual, pode levá-lo à constantes frustrações e ansiedades que o impedem de tornar a perfeição algo real.
Além disso, o documentário “Dilema das redes”, exibido na plataforma Netflix, revela a nomeada “tecnologia persuasiva” que consiste na tecnologia aplicada ao comportamento psicológico humano. O objetivo é criar hábitos inconscientes para que a pessoa tenha cada vez mais desejo de usufruir das redes e como consequência final gerar uma mudança em seu comportamento para que sinta-se cada vez mais dependente dos filtros, edições e postagem das imagens, por exemplo. Desse modo, é possível identificar que existe um impacto muito maior do que se imagina no aspecto psíquico e a falta de informação e apoio assistencial contribuem para esse cenário.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar essa problemática. Para que isso ocorra, os profissionais das áreas da psicologia e assistencialismo social devem desenvolver palestras que sejam webconferenciadas com o objetivo de atingir o maior público possível, a fim de trazer mais lucidez sobre os malefícios da manipulação de imagens nas redes sociais em consonância com fiscalizações e leis mais severas por parte do Estado sobre as empresas virtuais limitando suas autuações na manipulação do comportamento dos internautas que podem ocasionar transtornos e vícios prejudicando sua saúde mental como, por exemplo, a extinção dos filtros que promovem a fuga do real. Assim, será possível desfrutar no mundo virtual com maior equilíbrio e racionalidade.