A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/11/2020

Segundo um mito popularmente conhecido, Narciso era um jovem muito belo que ao ver sua imagem refletida em um lago se apaixonou. O amor pela própria imagem na era das redes sociais se assemelha a paixão do Narciso pelo seu reflexo, porém, atualmente nem sempre a imagem retratada nas fotos representa a realidade. Nesse sentido, tornou-se muito comum a manipulação de auto retratos em aplicativos a partir da deformação de rostos e corpos para atender um padrão estético almejado. Porém, essa prática causa malefício à saúde mental dos usuários de redes sociais, pois há uma incessante busca por aceitação a partir da revelação de uma imagem irreal, além disso, a fim de tornar aquele reflexo real, há o estimulo da realização de procedimentos estéticos invasivos.

Primeiramente, a geração de jovens atual utiliza as redes sociais como forma de espetacularização de suas vidas, assim, a imagem perfeita tornou-se fundamental para uma melhor aceitação social, ainda que as fotos editadas representem um reflexo distorcido. Sendo assim, se popularizou nos últimos anos o uso de filtros nas câmeras de aplicativos, que permitem uma deformação visual. Por exemplo, é possível aumentar os olhos e a boca, afinar o nariz e o rosto, e, também, mudar a cor dos olhos, da pele e do cabelo. Todos esses retoques tem a finalidade de agradar o espectador a partir da simulação de uma perfeição estética, ou seja, quanto mais visualizações, likes e comentários, melhor, ainda que todos esses elogios sejam fundamentados em uma imagem criada virtualmente. Assim, para ser aceito nas mídias sociais é necessário mudar-se, ação que reflete negativamente na autoestima.

Ademais, o repetitivo ato de aplicar deformações em fotos tem estimulado a realização de cirurgias plásticas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os procedimentos realizados em adolescente cresceram 141% em 10 anos, houve aumento principalmente da rinoplastia e do implante de silicone. Esse cenário está diretamente relacionado ao crescimento do uso das redes sociais pelos jovens e o estímulo de obtenção de uma imagem perfeita, pois com o uso exacerbado de filtros e edições, o reflexo real já não é satisfatório. Percebe-se, portanto, que a edição de fotos gera impactos psicológicos reais na vida de jovens que se submetem até a cirurgias para alcançar um padrão.

Portanto, a manipulação excessiva de imagens na rede social causa problemas de autoestima nos usuários. Para que o uso das mídias sociais não seja nocivo, é necessário que o Ministério da Educação realize parcerias com escolas e influenciadores digitais a fim de que seja ensinado aos jovens que a aceitação ao próprio corpo é crucial para uma vida saúdavel. Isso pode ser alcançado por meio da realização de palestras e debates em escolas e nas redes sociais sobre o tema da autoestima. Assim, a busca incessante por uma perfeição narcisista e maléfica a saúde mental será mitigada.