A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 29/09/2020
No episódio “Queda livre” da série Black Mirror mostra-se a história da protagonista Lacie numa busca excessiva pela imagem perfeita no aplicativo “Star”, esse que classifica e determina a vida real dos seus usuários de acordo com a quantidade de estrelas obtidas virtualmente. Fora de ficção, a manipulação de imagem nas redes sociais -Instagram, Facebook, Snapchat, entre outros- é realizada através de recortes que não representam a realidade do cotidiano, mas sim de situações momentâneas. Devido a isso, muitos usuários não conseguem discernir mais o real do virtual e passam a se comparar às celebridades e “influencers” na busca de desenvolverem a mesma vida “perfeita e feliz”, e esse excesso de comparação traz inúmeros malefícios à saúde mental, como a depressão e a baixa autoestima.
Em primeiro plano, é necessário ressaltar que muitas pessoas possuem a preocupação em espelhar sua vida por meio da sua imagem nas redes sociais, na qual a quantidade de “curtidas” e comentários geram um sentimento de poder a estas. Assim como apresentado na obra “A sociedade do espetáculo”, escrita por Guy Debord 1967, a imagem torna-se a determinação da realidade e resultam numa confusão entre a ficção e a realidade, uma vez que há a criação de um estereótipo de uma vida perfeita nos padrões hoolywoodianos como exposto nos meios midiáticos.
Por conseguinte, essa cobrança devido à busca excessiva por esta imagem inatingível -pois é irreal- auxilia no desenvolvimento de doenças relacionadas à exaustão da saúde mental, como a depressão e a baixa autoestima. Visto que o indivíduo se sente insuficiente e fora dos padrões impostos pela sociedade e pela mídia.
Portanto, pode-se compreender que a manipulação da imagem e a criação de estereótipos nas redes sociais influenciam diretamente na saúde mental do usuário. Logo, se faz necessário que psicólogos, junto aos criadores de conteúdo das redes sociais, desenvolvam projetos e campanhas -que sejam exibidos por meios midiáticos e palestras em escolas, comunidades e shoppings, por exemplo- que sensibilizem a sociedade a respeito de como essa manipulação traz prejuízos psicossomáticos, a fim de desfazer esta necessidade em tornar tudo um espetáculo. Dessa forma, cada indivíduo pode compreender e respeitar sua singularidade, desmistificando a ideia de uma imagem perfeita, assim como representado com a “queda” da personagem Lacie, que simboliza a libertação de toda manipulação e padrão imposto.