A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 02/10/2020
Corpo magro.Cabelo maravilhoso.Pele impecável.A consonância dessa tríade configura o modelo de beleza imposto pelas mídias sociais sobre a sociedade atual.Todavia,a necessidade de moldar a própria imagem para enquadrar-se em protótipos estabelecidos pelas redes,têm gerado efeitos maléficos à saúde mental das pessoas.Posto isso,é peremptório discussões sobre os impactos na auto-estima e bem-estar dos jovemd, que perdem a própria identidade em detrimento da identificação com o padrão.
Nesse contexto,Guy Deboard,em seu livro “A sociedade do espetáculo”,faz uma crítica feroz à sociedade contemporânea que valoriza a cultura da imagem.Sob essa ótica,no século XXI, as redes sociais, munidas de informações que afirmam o pensamento da escritora, utilizam-nas para induzir os utilizadores a vangloriar padrões utópicos de beleza: corpo sem defeitos, pele branca, cabelos lisos, peso e altura exemplares. De tal forma que, por meio da hiper divulgação de cirurgias plásticas, filtros corretores, procedimentos estéticos, adotados pelas blogueiras populares nas redes, as pessoas são incentivadas a aderirem ao modelo. Desse modo, lamentavelmente, os indivíduos passam a moldar desde seus comportamentos até seu visual físico para adequar-se às “exigências” da mídia.Assim, é inegável,a busca incessante pela perfeição,o que pode gerar repercussões psicológicas e emocionais.
Sob perspectiva adversa, o documentário “O Dilema das Redes”, dirigido por Jeff Orlowski, retrata as mudanças no comportamento humano impulsionado pelas redes, e traz como clara consequência desse efeito os abalos na saúde mental dos usuários.Partindo dessa reflexão,é notório, o estabelecimento de distúrbios psicológicos como ansiedade e depressão devido a obsessão das pessoas a moldar-se aos padrões de beleza,no qual preza pela superestimação constante da sua imagem.Porém,por vezes, alguns perdem sua identidade e auto-estima, deteriorando seu equilíbrio emocional no processo de modulação.Nesse viés, segundo a OMS, a depressão é a doença do século, o que ratifica o desequilíbrio na saúde mental dos indivíduos.Assim, indubitavelmente,as mídias sociais, explorando a aparência impecável,construíram uma rede de humanos que tornaram-se reféns de “likes” que modulam o estado do seu equilíbrio psicológico.
Depreende-se,portanto, que a manipulação de imagens nas redes sociais têm atingido, negativamente, a saúde mental da população.Logo,é premente,que os meios de comunicação, possam veicular campanhas que questionam o modelo de beleza estabelecido,com intuito de fomentar a aceitação das diversas formas de corpo,cabelo,pele, peso e estilo,promovendo a auto-estima.Ademais,as correntes publicitárias,devem enfatizar a necessidade das pessoas se sentirem bem sobre si mesmo e sua imagem, por dentro e por fora, para que se desconstrua arquétipos utópicos em um mundo distópico.