A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 13/10/2020

A partir do século XX, com o advento da Terceira Revolução Industrial, os avanços tecnológicos permitiram o surgimento das primeiras redes sociais e, consequentemente, da vida digital. Desse modo, hodiernamente, a humanidade encontra-se atrelada ao espaço virtual e suas novas possibilidades. Entretanto, como consequência dos padrões de beleza previamente impostos, as mídias sociais aderiram a filtros que são capazes de modificar elementos faciais, colorir cabelos e até reduzir medidas corporais. Visto isso, esses recursos que desvirtuam a própria imagem oferecem riscos à saúde mental humana por estimularem a busca pela perfeição e dificultarem a autoaceitação dos indivíduos.

É importante destacar, de início, que o tempo exacerbado de uso da internet por parte dos brasileiros está diretamente ligado aos índices de problemas decorrentes desse. Já que o país encontra-se em segundo lugar no ranking de nações que estão cada vez mais conectadas às redes, de acordo com levantamentos do sistema norte-americano de análise de dados “Hootsuite”. Por esse viés, compreende-se que as horas gastas no mundo virtual corroboram para que o hábito torne-se perigoso à saúde psicológica. Além disso, entende-se que as plataformas digitais não transmitem toda a realidade vivida pelos usuários, somente os aspectos positivos. Desse modo, gera-se uma frustração acerca do estilo de vida alheio que demonstra-se, aparentemente, perfeito. Sob esse mesmo prisma, há um desejo doentio, algumas vezes inconsciente, de atingir esse falso êxito estético e pessoal.

Ademais, os filtros alteradores de imagem diminuem drasticamente a autoestima de seus usuários por provocarem a comparação a partir de estereótipos e até mesmo incentivarem a adoção de cirurgias plásticas. Uma vez que o Brasil já posiciona-se em segundo lugar no ranking de países mais adeptos à cirurgias com finalidades estéticas, segundo estudos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Por analogia, na canção “Pretty Hurts”, da cantora norte-americana Beyonce, observa-se a influência nociva das pressões e padronizações sociais na vida de mulheres que, por essas, são submetidas a procedimentos dolorosos a fim de alcançarem determinadas aparências.

Em suma, é inegável o impacto negativo que a distorção ou aperfeiçoamento de imagem, por intermédio de filtros, causa nos internautas. Para que essa consequência seja reduzida é essencial que o Ministério da Educação, por meio dos educadores, promova um projeto, obrigatório no calendário de todas as escolas, que consista em debates mensais que além de alertarem sobre os riscos da manipulação visual, também discutam acerca da valorização da diversidade física e estética. A fim de auxiliar os jovens no processo de autoaceitação e evitar o constante desconforto com a própria imagem. Somente assim, a sociedade será mais diversificada e livre de padrões.