A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 02/10/2020

O Mito da Caverna, do filósofo Platão, representa a dicotomia entre a escuridão da ignorância e a luz do saber. Analogamente, muitos jovens contemporâneos se encontram presos em uma “caverna” cibernética em que suas imagens, transformadas por filtros, assumem a roupagem de alienação obscura. Torna-se, assim, necessária a discussão acerca dos malefícios à saúde mental provocada pela manipulação de imagens na internet, em prol de seres mais críticos e responsáveis.       Primeiramente, a obra “O corpo tem suas razões” de Therése Bertherat, ressalta a importância da tomada de consciência do corpo. No limiar do século XXI, sob perspectiva adversa, os indivíduos comportam-se de forma inconsciente com a própria imagem, visto que, aplicam-se filtros com o intuito de corrigir particularidades consideradas “falhas” pelo sistema digital. Nesse sentido, as alterações das aparências em aplicativos como “Instagram” e “Snapchat” são estimulados pela negação da própria fisionomia, haja vista que muitos jovens não aceitam a própria essência. Dessa forma, a manipulação de tais imagens nas redes sociais decorre da procura pela busca da auto-satisfação e do bem-estar individual.

Sob esse prisma, o Imperativo Hipotético de Kant retrata a debilidade moral do ser humano, o qual não usa a razão para a busca da verdade e assim, age de forma equivocada. Dito isso, é perceptível, que as modificações das imagens configuram-se como atitudes inconscientes, prejudiciais para a integridade mental dos indivíduos. Nesse contexto, os filtros impõem padrões pré-determinados de beleza, como o branqueamento, de modo que, incentivam procedimentos e cirurgias plásticas para adequar-se aos moldes. Além disso, tal manipulação da imagem estimula a decepção pessoal com a aparência real, pois cria no mundo virtual um novo “normal”, considerado mais agradável, de forma que pode propiciar o desenvolvimento de transtornos de imagem. Desse modo, é inegável que os filtros e outras formas de alterações da própria figura pode provocar diversos prejuízos para a saúde mental dos indivíduos.

Depreende-se, portanto, que a manipulação de imagens nas redes sociais pode gerar diversos malefícios para a saúde mental dos indivíduos. Logo, é basilar que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações promova seminários, por meio de palestras online, sobre os danos que as modificações da própria aparência podem causar à integridade mental, com o intuito de formar seres mais responsáveis e críticos. Outrossim, os seres poderão se libertar da ignorância da “caverna” e preencher-se pela luz do saber.