A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 03/10/2020

No mito grego, Narciso foi um herói extremamente cultuado por sua beleza e orgulho, no entanto, foi condenado a nunca poder olhar para seu próprio rosto. Uma vez, viu seu reflexo refletido em uma lagoa, e admirando-se, definhou até a morte na margem do lago. Hodiernamente, encontra-se um paralelo na sociedade que busca, com o auxílio de tecnologias, alcançar um padrão de beleza irreal.  Isso provém não só da transfiguração midiática, pautada por interesses capitalistas, que expõe e divulga corpos “perfeitos”, mas também, da ineficiência do Estado em proporcionar às pessoas, principalmente os jovens, uma saúde pública que vise formar profissionais capacitados em ajudá-los psicologicamente.

A priori, o sistema capitalista idealiza a ideia do que é belo no intuito de promover setores do mercado que se sustentam da insatisfação de seus compradores com seu próprio eu, como o mercado de maquiagens, suplementos de ginástica etc. Uma vez que é implantada na sociedade essa idealização, as empresas então suprem essa demanda com o auxílio da mídia, que divulga seus produtos e seus slogans e indiretamente depreciam a imagem da pessoa “comum”. De acordo com os filósofos Adorno e Horkheimer, todo o processo recebe o nome de “Indústria Cultural”, em que a sociedade se molda culturalmente com a premissa única de se tornarem consumidores das grandes empresas.

Em consequência, essa massificação do belo promove a exclusão daqueles que não têm condição de  participar desse ciclo social, como jovens periféricos e pessoas com problemas psicológicos e de auto estima. Outrossim, o Estado não cumpre sua função social de cuidar dos que estão desamparados por essa cultura da vaidade, sendo a população menos abastada duplamente marginalizada das convenções populares. Segundo o Filósofo Friedrich Hegel, o Estado é o pai da sociedade, devendo, portanto, cuidar de seus filhos. Desse modo, ao não democratizar o acesso a profissionais capacitados para ajudar esse setor da sociedade em busca de melhorar a qualidade de vida do povo, ele falha em cumprir sua função. Então, é mister que medidas sejam tomadas a fim de solucionar o problema.

Assim, para desconstruir essa cultura do belo como ferramenta do capitalismo, urge que o Ministério da Saúde crie o programa “saúde mental para todos” que promoverá o acesso dos mais pobres a psicólogos e psiquiatras por meio de vouchers e construção de clínicas populares. Ademais, cabe ao poder público obrigar empresas privadas a promover a maior diversidade étnica de modelos femininas e masculinas em propagandas, para que todos possam se sentir representados e não se sintam obrigados a consumir produtos para se sentirem mais bonitos. Só assim os populares não seguirão o caminho de Narciso, e não irão definhar ao admirar seus próprios reflexos irreais.