A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 03/10/2020
Segundo a Constituição Federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à saúde. Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há malefícios gerados pela manipulação de imagem nas redes sociais. Nesse sentido, é importante analisar que parte da população tem sua garantia constitucional violada, o que é consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, as quais dificultam a atenuação do problema.
Em primeiro plano, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, na criação de projetos que visem conservar a saúde mental da população. Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, a fim de atingir o equilíbrio social. Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não desenvolve campanhas eficazes contra a padronização da aparência física, de forma a demonstrar a pluralidade de belezas que existem e a desmistificar noções de um corpo perfeito. Logo, a escassez dessa medida favorece o uso de ferramentas de manipulação de imagem nas redes sociais e, com isso, usuários desses aplicativos que se superestimam nas fotos tendem a sentirem-se inferiores e desmotivados no contato real.
Ademais, a manipulação de imagem nas redes sociais pode possuir relação com preconceitos com a aparência, ao passo que as instituições de ensino demonstram-se ineficientes em estimular a empatia na aprendizagem do estudante. Acerca disso, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver uma escolaridade marcada por uma ética transcultural e inclusiva. Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de respeitar a diversidade de característica fenotípicas do povo brasileiro, como traços de descendência africana. Portanto, em função da baixa escolarização e da padronização da beleza, parte da população pode humilhar pessoas com aspectos físicos diferentes do modelo e, como efeito, esses cidadãos sofrem com baixa autoestima e com uma saúde mental deficitária.
Em conclusão, é responsabilidade do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver medidas capazes de atenuar a problemática. Destarte, é dever do governo federal, por meio do financiamento das mídias televisivas, criar campanhas de aceitação da própria imagem, isto é, apresentar vários modelos de beleza brasileira, como pessoas com traços indígenas ou com um corpo que não seja atlético. Desse modo, os malefícios à saúde mental gerados pela manipulação da imagem nas redes sociais serão reduzidos, já que essas publicidades irão demonstrar que há uma variedade de aparências e não um padrão perfeito.