A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 04/10/2020

O mito a caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair da sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática, no que diz respeito a manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental. Nesse contexto, a imposição de padrões sociais é um desafio no Brasil e persiste, devido não só à má influência midiática como também à lenta mudança na mentalidade social.

A princípio, a má influência midiática classifica-se como complexo dificultador. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.

Além disso, outra dificuldade é a lenta mudança na mentalidade social. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da manipulação de imagem é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridos em um contexto de opressão pelo padrão de beleza, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna a solução ainda mais complexa.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência da mídia. Tais ações devem correr nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertam sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram isso. É possível também, criar uma “hashtag” para identificar e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que alguns canais de comunicação dão ao assunto.