A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/10/2020

A manipulação de imagem ou tratamento de imagem é o ramo da edição de fotografias que envolve a alteração de uma foto com o intuito de corrigir imperfeições ou modificar o objeto fotografado. Na atualidade, não é mais necessário  pagar um profissional para ter acesso a tal recurso, visto que existe uma gama de aplicativos que proporcionam-o de graça. Entretanto, é necessário analisar os extremos destes mecanismos, que demonstram-se prejudiciais a saúde mental de indivíduos que já sofrem de transtornos prévios, além de contribuir para uma abordagem prejudicial dos padrões de beleza.

Primeiramente, é importante ressaltar que o uso exacerbado de filtros modificadores de imagem é prejudicial para a visão do indivíduo sobre si mesmo. Recentemente, uma pesquisa feita pelo grupo Girlguiding revelou que um terço das mulheres e jovens não publicam fotos sem usar um efeito que mude sua aparência, bem como 39% dos entrevistados afirmaram que se sentem infelizes por não se parecerem com a imagem criada no smartphone. Nesse sentido, é evidente que essas ferramentas de edição demonstram-se danosas à autoestima das pessoas, contribuindo para o sentimento de insatisfação com a própria figura por causa de modelos inalcançáveis de estética.

Por conseguinte, é evidente que a modificação de imagem nas redes sociais é diretamente incentivada pelo padrão de beleza vigente, que é utópico e exclusivo, o que pode acarretar possíveis transtornos lesivos a saúde física e mental dos cidadãos. De acordo com uma pesquisa da Casa do Adolescente, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, 77% das adolescentes apresentavam predisposição a desenvolver algum distúrbio alimentar, em que 85% afirmaram acreditar que existe um padrão de beleza socialmente imposto e 46% disseram que mulheres magras são mais felizes. Deste modo, partindo do pressuposto que alteração da forma física proposta por filtros e efeitos geralmente tem o objetivo de aproximar a aparência da pessoa a aquilo que é visto como belo socialmente, os mesmos influenciam a população de forma negativa e dificultam o processo de autoaceitação, por isso, precisam ser combatidos.

Dessarte, é mister a ação do Estado para a possível resolução do problema. Com o objetivo de amenizar os efeitos nocivos dos filtros de adulteração de imagem e sensibilização da população brasileira, urge que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que exponham os prejuízos da manipulação de imagem para a saúde humana, e apresentar as opções públicas e privadas para ajuda terapêutica em caso de transtornos mais graves identificados previamente. Só assim, será possível a construção de uma nação mais saudável, tanto física quanto mentalmente.