A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 04/10/2020
Em um dos episódios da série Black Mirror é apresentado um mundo em que as pessoas usam as redes sociais constantemente para avaliar tudo ao seu redor, agindo falsamente para mostrar a sua melhor imagem e face. Fora dessa ficção, tal situação é um espelho da sociedade hodierna, mediada principalmente pela mídia e seu falso embelezamento. Nesse contexto, deve-se analisar tal quadro, intrinsecamente ligado à padronização e a mercadorização da imagem.
Em primeira análise, é importante destacar como as redes sociais agem na padronização da imagem. Isso acontece porque há uma estética enraizada na sociedade, em que é belo apenas aquele que corresponde a um padrão europeu, ou seja, branco, alto, com nariz pequeno e de olhos claros. Assim, essas características são disseminadas nessas redes e potencializadas por meio de filtros e aplicativos que distorcem o rosto “inadequado. Por consequência disso, cada vez mais, mulheres e homens são subjugados fora do padrão e induzidos a buscarem uma beleza irreal, o que pode incitar problemas de autoestima e depressão.
Além disso, deve-se pontuar como a mercadorização da imagem influencia na problemática em questão. Esse “mercado” ocorre porque há uma busca desenfreada pela imagem perfeita nas redes sociais, na qual aquela com maior número de likes e compartilhamentos determinará quanto dinheiro aquele indivíduo conseguirá ganhar. Dessa forma, Guy Debord, em seu livro “A sociedade do espetáculo”, critica a cultura de consumo saturada da imagem, mediada pelo capitalismo: publicidade, celebridades e propagandas. Consequentemente, essa questão tem uma influência direta na vida e na saúde psicológica e mental dos indivíduos, deixando à margem da sociedade aquelas que não corresponde as expectativas dessa falsa realidade.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar tal contexto. Para isso, é preciso que a mídia – grande mediadora de conhecimento e informações para a massa - em parcerias com os influenciadores digitais e as redes sociais, deixe de utilizar sua capacidade de propagação de informações para promover a padronização e venda da imagem e passe a usá-la para criar propagandas, campanhas e promover debates acerca dessa manipulação, com o objetivo de preservar a saúde mental dos indivíduos. Só assim, essa questão poderá ser minimizada e a realidade presente em Black Mirror ficará apenas na ficção.