A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/10/2020
Há uma grande necessidade de aparentar possuir a “vida perfeita” em redes sociais, baseando-se principalmente no alcance da boa aparência, onde filtros e programas são utilizados para chegar nesse objetivo. Porém, ao realizar tal feito um padrão é criado em meio aos usuários, diminuindo a autoestima e afetando psicologicamente aqueles que não se encontram dentro dessas características. A individualidade passa a ser ignorada e trocada pela vontade de se encaixar em um padrão perfeito, que muitas vezes é inalcançável ou que necessita de medidas extremas e nocivas.
De acordo com um estudo feito pela Royal Society for Public Health, no Reino Unido, foi indicado que as redes sociais produzem tanto efeitos positivos, como negativos, dependendo da forma como é utilizada pelo usuário. Cerca de 70% dos jovens revelaram que o Instagram faz com que se sintam pior em relação à própria autoimagem e em relação as meninas, esse número sobe para 90%. É notório que o público feminino continua a ser o mais afetado por questões relacionadas a vaidade, já que há uma pressão maior sobre a mesma desde épocas antigas devido a uma sociedade patriarcal, onde mulheres devem apresentar uma beleza estética satisfatória o suficiente a fim de se tornar esposa e mãe.
Na série “Black Mirror”, um dos episódios retrata como seria uma realidade onde o status socioeconômico é firmemente baseada em sua classificação nas redes sociais, criando um mundo perfeito e superficial. Todos são afetados por uma falsa felicidade, agindo de forma que outros se sintam agradados e o moldando para se encaixar nessa sociedade, o que não é muito diferente da realidade presente no mundo real. O Indicador de Confiança Digital (ICD), conduzido pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou que 41% dos jovens brasileiros consideram que as redes sociais causam sintomas como tristeza, ansiedade ou depressão.
Portanto, é necessário meios que ajudem a eliminar a busca da vida perfeita e aceitar a realidade que pessoas possuem diferentes emoções e experiências, tornando uma vida somente de altos, sem a presença de baixos, impossível. Assim como foi realizado pelo Instagram, a ocultação da quantia de “likes” também poderia ocorrer com seguidores, em outras redes sociais, a fim de evitar a competição e comparação realizada entre os usuários. As escolas poderiam ensinar estudantes, principalmente adolescentes, os cuidados a serem considerados ao utilizar tais aplicativos, trabalhando o reconhecimento da diversidade presente entre os seres-humanos, fazendo exercícios para melhorar a autoestima e evitando o acolhimento de padrões de beleza. Desse modo, as redes sociais não teriam tanto controle e efeito psicológico em jovens, livrando-os de males futuros.