A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/10/2020

“Se estilhaçou em cacos virtuais, nas aparências todos tão iguais, singularidades em ruína”. O trecho da música “Desconstrução”, do compositor Tiago Iorc, expressa a problemática da reprodução de padrões de imagem nas redes sociais em busca de ganhar seguidores e likes. A fixação por uma aparência computadorizada e irreal representa riscos físicos e psicológicos às gerações que são nativas da Internet. Assim, é necessário combater esse impasse que perpetua os padrões de beleza e a estereotipação dos indivíduos.

As redes sociais influenciam as atitudes e pensamentos dos usuários através da manipulação de imagem. Devido à impressão de perfeição causada por essa distorção de imagem, os usuários têm a saúde mental afetada por não se encaixarem nos padrões. Segundo uma pesquisa realizada pela Royal Society for Public Health, as taxas de depressão e ansiedade entre jovens de 14 à 24 anos, principais usuários de redes sociais, aumentaram 70% nos últimos 25 anos. Atualmente é perceptível o desconforto e insegurança da maioria dos jovens em apresentar sua imagem real ao mundo, já que o indivíduo em suas redes sociais é completamente diferente e distante da realidade.

Em segunda análise, é importante ressaltar que as mídias sociais, em sua maioria, possuem filtros que aprimoram as imagens, dando um aspecto de “perfeição”. Os filtros do Instagram, por exemplo, começaram como uma forma divertida e inofensiva de “se fantasiar”. Entretanto, em pouco tempo, os efeitos adquiriram um nova caracterização: transformando os rostos, aumentando a boca e afinando o nariz. Assim como na música Desconstrução, “nas aparências todos tão iguais”. Além disso, o recente movimento “Snapchat dysmorphia” mostrou que um grande número de jovens mulheres norte-americanas estão levando à cirurgiões plásticos fotos de si mesma com filtros, dizendo que é assim que elas querem parecer. E segundo um estudo da Academia Americana de Cirurgiões Plásticos, a motivação de 55% das pessoas que fizeram rinoplastias em 2017 foi o desejo de sair melhor em selfies. Assim, é perceptível que os efeitos de imagem são responsáveis pela imposição dos padrões de beleza, que por serem utópicos, acabam aumentando a procura por procedimentos estéticos.

Diante dos argumentos supracitados, os Governos devem adotar medidas para reduzir os impactos negativos na saúde mental dos usuários. Cabe as plataformas midiáticas adotarem políticas para a proteção de imagem e individualidade dos usuários. A mídia, em parceria com influenciadores digitais, devem promover campanhas sobre o uso consciente desses aplicativos, por meio de comerciais e posts que mostrem a diferença entre a vida real e a vida virtual. Desse modo, os efeitos nocivos da padronização de imagem podem ser combatidos.