A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 05/10/2020

Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, o ser não deve ser usado como meio, deve ter um fim em si mesmo. Entretanto, com a consolidação do capitalismo e a implantação de uma cultura superficial que preza apenas o status, o lucro e a aparência, o indivíduo vem sendo progressivamente objetificado. Dessa forma, é necessário discutir a manipulação de fotos nas mídias virtuais e as consequências à saúde mental dos navegantes, de forma a pontuar a imposição da inserção de padrões físicos e a frustação diante da diferença.

A princípio, é importante ressaltar a eminência da cultura capitalista atrelada à exaltação de um padrão de beleza. Assim, de acordo com a teoria de ‘‘Indústria Cultural’’, proposta pelos alunos da Escola de Frankfurt, o capital tornou-se protagonista das relações, de modo a fortalecer a cultura de massas, a qual despreza a individualidade. Sob tal perspectiva, a sociedade tende a adaptar um mesmo estilo de vida e tenta manipular seu visual, como o presenciado nas redes sociais através de filtros, de forma a apreciar padrões impostos e depremir diferenças pertecentes. Logo, enquanto a sociedade seguir tal estilo de rebanho, os indivíduos críticos e independentes sofrerão com a opressão da cultura de massas.

Ademais, a necessidade de adequação e inserção na cultura capitalista de beleza desgasta a sanidade emocional de vários navegantes virtuais. Consoante a obra ‘‘Sociedade do Cansaço’’, do sul-coreano Byung-Chul Han, a sociedade contemporânea tem a conveniência de ser aprovada em todas as áreas inerentes, o que gera frustação e consome sua saúde mental. Visto assim, a imposição de um modelo físico causa inseguraça e incerteza em indivíduos alienados que se orietam pela cultura de massa e buscam aprovação, principalmente em mulheres, as quais são culturalmente exigidas e censuradas. Desse modo, a modificação digital de imagens absorve mentalmente pessoas que lutam para se adequar.

Portanto, discutidas as consequências emocionais da manipulação de fotos nas redes sociais, cabe agora ao Estado e seus órgãos mitigar o problema. Por isso, urge ao Ministério das Tecnologias - órgão responsável pela circulação virtual -, a obrigação de sanar as modificações das imagens na internet, por meio de indenizações econômicas as redes de tal propagação, como Instagram e Facebook, a fim de abrandar os resultados psicológicos dos navegantes.Juntamente, o Ministério da Educação deve fazer campanhas ressaltando a importância das diferenças e da cultura miscigenada do país. Por resultado, os seres serão contemplados dentro de suas distinções e não serão objetificados, como propôs o filósofo prussiano.