A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/10/2020
Conforme o teórico britânico David Harvey, o encolhimento do mundo, propiciado pelas novas tecnologias, fomentou a intensificação das relações de convívio pessoal. Entretanto, com novas tecnologias, surgem novas formas de opressão, sobretudo ligadas à imagem pessoal no ambiente virtual e sua deleteriedade no campo psicológico do ser humano. É possível afirmar que não só o estímulo a um padrão de beleza universal, como também o uso de máscaras socias concretizam o status quo do século XXI: uma população doente por estética — especialmente por efeitos especiais da internet na contemporaneidade.
Inicialmente, é necessário dizer que um padrão estético de corpo não é um problema, mas sim a ultrapassagem do bom senso em relação a ele. Assim, uma mudança na personalidade física por uma fictícia nas redes de comunicação, é de se questionar tal naturalidade de uso, visto que acarretará em uma pseudo realidade que pode ser perniciosa e, se refletida, em danos mentais como, por exemplo, anorexia, bulimia, depressão e, em casos mais extremos, suicídio. A priori, é inadmissível que a perpetuação da vulgarização de ferramentas modificadoras continue, pois não realça as diferenças e as valorizam por serem únicas, mas sim as atuenuam em simples cliques.
Ademais, a presença de várias faces de si mesmo em diferentes ocasiões, seja em âmbito virtual ou não, de acordo com o conceito banal de " você é o que você faz “, traz consigo importantes reflexões. A partir dessa perspectiva, a adequação do “eu” em ambientes distintos, pode levar a uma comparação entre o que realmente é, e o que é mostrado ao público — este, muitas vezes, aparentemente mais chamativo. Portanto, novamente, a diferença é que torna cada um tão pessoal, ou seja, não vale a pena uma mudança estética corpórea que sublima tais qualidades, independente de quem seja.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino, realçar a plasticidade e irrealidade das redes sociais, principalmente as que envolvam fotografias, por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias que discorram sobre o uso das artimanhas e aplicativos que distorcem a verdade. Espera-se, com tudo, isso, uma melhoria singificativa no padrão de uso da internet e, por conseguinte, uma conscientização efetiva da população. Aliás, com as máscaras da felicidade expostas, talvez se sinta pena de quem é “feliz”.