A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/10/2020

No documentário estadunidense ‘‘O Dilema das Redes’’ é apresentada a história de uma família que se vê diariamente mergulhada em discussões relacionadas ao uso exagerado do celular e das redes sociais. Em determinada parte da trama, a filha mais jovem chora em frente ao espelho depois de receber um comentário negativo sobre sua aparência após postar uma selfie cheia de filtros. Dessa forma, tal situação pode ser relacionada a manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental, onde as pessoas utilizam cada vez mais de filtros que aprimoram as imagens, dando um aspecto de ‘‘perfeição’’ que quando não alcançada, gera frustração.

Primordialmente, pontua-se que as redes sociais influenciam as atitudes e pensamentos dos usuários através da manipulação de imagem, isso ocorre principalmente em aplicativos como o Instagram e o Snapchat que contam com filtros que tornam os cílios mais longos, a pele mais lisa e os narizes mais harmônicos. Entretanto, tais efeitos acabam sendo responsáveis pela imposição dos padrões de beleza, que por serem utópicos, aumentam a procura por procedimentos estéticos. Tal influência é tão forte, que segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nos últimos dez anos houve um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos.

Observa-se, ainda que, a frustração por não conseguir se encaixar nos estereótipos gerados nas mídias sociais causam problemas como, baixa autoestima, solidão, ansiedade e depressão. Prova disso, são dados de um artigo de opinião publicado na revista The Atlantic, onde a psicóloga Jean Twenge afirma que o uso exagerado de internet e redes sociais pode ter relação direta com o aumento exponencial de ansiedade e depressão – de acordo com a ONU, elas incidem em 3,6% e 4,4% da população mundial, respectivamente. Ainda nesse artigo, Twenge diz que o Instagram é o maior vilão da saúde mental dos jovens, que passam a se comparar com biótipos aparentemente perfeitos, mas inalcançáveis. Assim, faz-se notória a máxima da escritora Caroline Caldwell, de que numa sociedade que lucra com a nossa insegurança, gostar de si mesma é um ato de rebeldia.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas. Cabe ao Ministério da Educação, promover, por meio de verbas governamentais, palestras educacionais e propagandas midiáticas com profissionais especializados, como psicólogos, para abordar o tema dos impactos negativos da manipulação de imagem das redes sociais e como isso afeta a saúde mental dos usuários, orientando-os a utilizarem as redes de maneira saudável, a fim de diminuir o índice de jovens frustrados e doentes. Urge, ainda que filtros de beleza que trazem ‘‘perfeição’’ sejam retirados pelos programadores desses aplicativos sociais, como forma de não impor estereótipos e influenciar a procedimentos estéticos.