A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 05/10/2020
Segundo o filósofo Nietzsche, em sua obra Além do Bem e do Mal, os indivíduos que tendem a falar muito de si mesmo possuem o objetivo de se esconder perante os outros. Do mesmo modo, esse pensamento ocorre nas redes sociais, em que os usuários distorcem sua própria imagem em prol de uma melhor e mais aceitável, mesmo que fuja da sua realidade. Diante disso, as redes sociais tornaram-se uma verdadeira máscara virtual, a qual promove a formação de um narcisismo virtual e de inúmeros malefícios à saúde mental dos seus usuários.
Dessa forma, conforme a tecnologia avança nas redes sociais, maiores são as possibilidades de filtros e cada vez mais reais eles se tornam, sendo desde uma harmonização facial até a alteração da cor de cabelo. A utilização dessa ferramenta permite o usuário imaginar diferentes imagens de si próprio e de até mesmo de outros indivíduos. Contudo, o constante uso de filtros nas redes sociais pode acarretar uma verdadeira dependência de uma imagem criada virtualmente, fazendo com que muitos indivíduos busquem somente aquela aparência e entendam aquilo como sua real beleza. Desse modo, a vaidade do usuário torna-se dependente de uma manipulação de sua própria imagem, mesmo que aquilo seja falso e fuja de sua própria identidade.
Além disso, as redes sociais não estimula somente a valorização de uma imagem manipulada dos seus usuários, mas também a depreciação da realidade dos indivíduos e de sua própria aparência, os quais tendem a se comparar constantemente com aquilo criado virtualmente. Segundo pesquisas realizadas pela Instituição de Saúde do Reino Unido em parecia com o Movimento de Saúde Jovem, as redes sociais são mais viciantes que o álcool e o cigarro, bem como nocivas para a saúde mental dos usuários, sendo o Instagram o principal prejudicador por estar muito associado a imagens que os seus usuários postam. Desse modo, a manipulação de uma imagem, como de um corpo “perfeito” ou uma pele mais bronzeada, proporciona sentimentos de inadequação e de depressão perante quem consome acreditando que aquilo é real, e também de quem produz ao ver que muito daquilo não é real.
Portanto, é indubitável que haja a criação de medidas que combatam essa cultura da valorização da aparência obtida em filtros e principalmente dos malefícios que essa atividade proporciona aos indivíduos. Diante disso, a Organização Mundial da Saúde deve promover uma campanha de conscientização sobre os perigos que uma imagem manipulada causa aos usuários e da importância da divulgação de imagens reais sem o uso de filtros, por meio de uma parceria com os maiores influenciadores digitais de vários países, a fim de que os indivíduos não se escondam diante de sua realidade e possam se aceitar como são, e Nietzsche nesse contexto estando equivocado.