A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/10/2020

O filme “Nerve: um jogo sem regras”, conta a história de VeeDeMarco, uma garota que vive uma aventura ao aceitar participar de um jogo online no qual os jogadores ganham dinheiro ao realizarem desafios perigosos. Assim como no filme, as redes sociais influenciam as atitudes e pensamentos dos usuários através da manipulação de imagem. Esse cenário, é problemático pra juventude uma vez que causa danos a sua saúde mental.

Em primeiro plano, vale destacar o caráter pessoal que o problema confere: a ameaça à autonomia de pensamento. É sabido que a forma como pensamos, emitimos juízos de valor e direcionamos nossas ações está intrinsecamente ligada aos laços que possuímos com a sociedade. O fato é que, na era da informação, onde tudo se dá em tempo real, muitas vezes acabamos por acatar o que chega até nós sem nenhum pensamento crítico prévio. Temos, ao que parece, a resposta para tudo, instantaneamente. E dessa forma acabamos por terceirizar o exercício de pensar - as máquinas podem fazer isso por nós.

Por consequência, a frustração de não alcançar a perfeição aumenta o número de pessoas com a saúde mental afetada. Segundo uma pesquisa realizada pela Royal Society for Public Health - instituição de saúde pública do Reino Unido -, as taxas de depressão e ansiedade entre jovens de 14 à 24 anos usuários de redes sociais aumentaram 70% nos últimos 25 anos. Isso mostra que, sobre o ponto de vista de Bauman, no livro “Amor Liquido”, que discute sobre a fragilidade das relações humanas e a perda de referências, apontadas por ele como um fruto da modernidade, as redes sociais têm uma forte influência sobre o nosso comportamento.

O que se conclui, portanto, é que há necessidade de estabelecer medidas que dialoguem com essa problemática. Cabem aos Poderes Executivo e Legislativo sancionarem leis que fiscalizem e penalizem a disseminação de “fake news”. À escola, recai o precioso dever de incentivar os jovens a pensarem de forma crítica, dando especial atenção às disciplinas humanísticas, como Filosofia e Sociologia. Por último, cabe aos pais monitorar o acesso dos filhos à internet, para que este se dê da forma mais saudável e construtiva possível. Só assim caminharemos gradativamente para a luz da razão e do bem-estar social.