A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 06/10/2020
‘’ No meio do caminho tinha uma pedra.’’ Carlos Drummond de Andrade, poeta moderno, descreve em seus versos as dificuldades enfrentadas pelo eu lírico ao se defrontar com um entrave. Em analogia, observa-se no contexto hodierno a manipulação de imagens nas redes sociais como uma ‘’ pedra no caminho ‘’ da sociedade brasileira, a medida em que institui regras e preceitos normativos que causam danos imensuráveis à saúde mental da população. Nesse sentido, faz-se necessária a análise acerca dos anúncios nas plataformas e sua intrínseca relação com a liberdade individual.
Constata-se, a princípio, a errônea atuação das empresas que divulgam campanhas publicitárias nas mídias sociais. Consoante à óptica atestada pelo filósofo Maquiavel, em sua célebre obra ‘’ O príncipe’’, ‘’ os fins justificam os meios.’’ Nesse contexto, é notório uma conectividade entre a questão defendida pelo autor e a postura dessas corporações na atualidade, haja visto que, ao priorizarem os ganhos lucrativos, difundem imagens inverídicas e propagam discursos deturpados. Assim, subordinam o bem-estar dos indivíduos e negligenciam os aspectos éticos e princípios mais básicos vinculados às próprias organizações. Dessa forma, torna-se evidente que esse elemento é um fator substancial para a persistência do impasse em questão.
Por conseguinte, a liberdade e a qualidade de vida dos usuários das redes sociais passa a ser corrompida e violentada simbolicamente. Sob esse viés, Michel Foucault, filósofo e sociólogo alemão, defende que a padronização da disciplina institui uniformidade nos comportamentos humanos. De modo similar, as imagens manipuladas, são, geralmente, baseadas em ‘’ receitas culturais’’ e consolidam, dessa maneira, padrões e processos unilaterais. Logo, com extenso poder epistemológico, esse elemento sustenta paradigmas prejudicais à saúde mental dos sujeitos, uma vez que estigmatiza a pluralidade e potencializa perspectivas homogêneas.
Portanto, novos caminhos devem ser elucidados. Sendo assim, cabe ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) o estabelecimento de diretrizes para a Indústria Estética, por meio da fiscalização das campanhas publicitárias. Ademais, para uma plena execução, a medida deve ser realizada por marcos regulatórios constantes, feitos por agentes especializados. Essa ação terá como finalidade garantir que os usuários não sejam psicologicamente prejudicados por conteúdos imprecisos. Com isso, os malefícios causados por esses materiais expostos nesses veículos midiáticos irão transgredir de uma ‘’ pedra no caminho ‘’ para uma realidade superada na conjuntura nacional.