A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 09/10/2020
Narciso é um personagem mitológico que, segundo a lenda, tem uma preocupação excessiva com a própria imagem e uma vaidade extremamente alta, que acaba levando-o à morte. De maneira análoga, na atualidade, percebe-se, por meio das redes sociais, um pensamento narcisista elevado por parte da sociedade, o que evidencia-se quando analisados os diversos filtros e programas que têm por intuito a modificação da autoimagem. Dessa maneira, torna-se fundamental a discussão acerca do tema, que traz consequências negativas à saúde mental, como o estabelecimento de padrões de beleza e, consequentemente, a supervalorização das aparências.
Primeiramente, deve-se considerar que, segundo o filósofo francês Michel Foucault, os padrões existentes atualmente conceberam-se através de um processo de construção feito ao longo da história. Nesse contexto, desde 2017, redes sociais - a exemplo do Instagram - passaram a disponibilizar filtros de edição de imagens, permitindo que o usuário pudesse ter uma visão diferente de si próprio. Porém, apesar de ser uma ferramenta dinâmica, tais filtros tendem a estabelecer modelos visuais, o que pode vir a gerar uma padronização de aparências. Assim, a partir da teoria de Foucault, infere-se que os programas de manipulação de imagem podem estar relacionadas a um estabelecimento de padrões tidos como “perfeitos”.
Em decorrência disso, ocorre um fenômeno totalmente maléfico à saúde mental, em que os usuários de redes sociais passam a superestimar as aparências visuais. Nessa perspectiva, de acordo com dados da OMS, a baixo autoestima afeta cerca de 5,8% da população brasileira, sendo uma das principais causas desse dado a insegurança com a própria imagem. Desse modo, com a criação de padrões, entende-se que o uso abusivo de programas de alteração visual está diretamente ligado com a diminuição geral da autoestima populacional, um grave problema psicólogico humano.
Logo, é fundamental que haja a tomada de medidas para a resolução do fato exposto. Dessa forma, as mídias devem, através da veiculação de campanhas, desmistificar a padronização de aparências, a fim de mostrar à população os pontos negativos que a alteração da própria imagem pode trazer e, consequentemente, tentar reduzir o pensamento idealista de parte da sociedade. Destarte, espera-se que os indivíduos não cometam os mesmos erros de Narciso nos tempos atuais.