A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 06/10/2020
A manipulação de fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais geralmente têm o intuito de manipular características marcantes do internauta em prol de padrões estéticos pré-estabelecidos. Dessa forma, estabelece-se uma pseudo realidade, que acaba por internalizar ideias de perfeição acerca das feições de pessoas públicas, posteriormente vindo a causar problemas como ansiedade e consequentemente a não auto-aceitação dos usuários das redes. Isso se deve a inclusão de cirurgias plásticas nos padrões estéticos sociais, assim como a simplicidade das relações interpessoais.
Primeiramente, os padrões de beleza, principalmente atrelados a figura feminina, sempre estiveram presentes no mundo, e com o passar do tempo, têm se modernizado, acrescentando até mesmo a necessidade do uso de filtros de câmera estéticos em redes sociais. Tais edições de imagem criam uma ideia de necessidade procedimentos estéticos cirúrgicos na sociedade, o que tende a popularizar a Síndrome da Decepção Continuada, como ocorreu com o cantor Lucas Lucco, em que mesmo depois de realizar um procedimento de harmonização facial, desfez a cirurgia devido a problemas de ansiedade relacionados a insatisfação.
Paralelamente, de acordo com o pensador Zygmunt Bauman, criador do conceito de modernidade líquida, a sociedade atual firma-se de maneira simplória e volátil, dificultando o estabelecimento de relações pessoais mais duradouras. Tal fenômeno pode ser explicado pelo crescimento do fluxo de informações ao redor do mundo, atrelado a globalização, e têm como consequência a conhecimento social de um padrão estético nas redes sociais, em que o uso de filtros faz cirurgias plásticas parecerem cada vez mais necessárias.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. É dever estatal quebrar concepções sociais formadas a partir da idealização da beleza, por meio de publicidades, propagandas e palestras em locais públicos. Dessa forma, a saúde mental dos usuários de redes sociais aumentará, juntamente com índices como auto-aceitação. Só então, usuários de aplicativos como o Instagram não terão mais necessidade de aplicar filtros incondizentes com a realidade, ou realizar cirurgias plásticas.