A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 06/10/2020

Segundo o pensador e ativista Michel Foucault, tudo que existe foi criado historicamente: cada período passa por um processo de produção da verdade, que normaliza determinadas concepções; para ele, não existe verdade nem mentira, e a totalidade pode ser transformada - nada é eterno. Dessa forma, as padronizações impostas atualmente são frutos de uma construção da sociedade, que foi potencializada com a crescente influência das mídias. Por isso, é indispensável o debate acerca da manipulação de imagens nas redes sociais - que é um jeito de atender os ideais propostos - e seus malefícios à saúde mental, para analisar as causas e as consequências da problemática.

A priori, a sociedade de consumo, evidenciada pelos princípios do capitalismo, seria a explicação para a constante modificação de fotografias, já que hoje a imagem é a maior fonte de venda e propaganda das grandes marcas. Essa ligação entre a indústria e o indivíduo reforça e cria novos modelos a serem seguidos - e tudo que é diferente deve ser desvalorizado e reprimido até que se encaixe e se torne parecido. De acordo com Theodor Adorno e Max Horkheimer, a grande “Indústria Cultural”, detentora dos meios de comunicação em massa, é a ditadora das padronizações de produtos, notícias, serviços e beleza, guiando a população à homogeneidade. Assim, a modernidade desenvolveu uma outra concepção, que é responsável pela manipulação de imagens nos aplicativos: o igual é o novo ideal.

Consequentemente, essa realidade deixa a sociedade sujeita a graves problemas de saúde, como transtornos alimentares e psicológicos. Cita-se, por exemplo, a anorexia e a bulimia, que geram sentimento de insatisfação e insegurança com o próprio corpo; logo, as pessoas passam a procurar medicamentos e cirurgias estéticas em busca da “perfeição”. No entanto, esses procedimentos só aumentam os distúrbios e afetam a saúde mental, visto que os produtos se renovam constantemente, e os padrões se tornam mais exigentes e inalcançáveis. Dessa maneira, a modificação de fotos vai muito além dos aplicativos - é física e psicológica.

Em suma, a manipulação de imagens nas redes sociais precisa ser combatida visando acabar com os malefícios à saúde mental. Para isso, as empresas e as mídias, na condição de ditadoras do “novo” e por possuírem grande alcance, devem aumentar a diversidade de características físicas, por meio de propagandas com pessoas de diferentes corpos e formatos do rosto, a fim de valorizar as divergências e diminuir os danos psicológicos da sociedade. Então, uma nova produção da verdade se estabelecerá e a normalização, proposta por Foucault, será o não ser igual.