A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/10/2020

A partir da popularização das revistas, com suas fotos de modelos alteradas digitalmente, iniciou-se uma série de discussões relacionadas aos problemas mentais gerados pela queda de autoestima devido aos altos padrões de beleza impostos pelas revistas, muitas vezes inalcançáveis. Em oposição ao movimento Body Positive e a proibição de fotos totalmente editadas em revistas, surgiram as redes sociais, esses veículos de comunicação hoje se tornaram ferramentas capazes de oprimir e controlar a aparência de seus seguidores, alimentando disposições problemáticas e desenvolvendo distúrbios psicológicos.

Os filtros faciais surgiram com o intuito de divertimento e leveza, com orelhinhas de cachorros, tiaras de flores e bigodes de gatinho, porém, efeitos criados foram capazes de transfigurar totalmente os rostos, por mais inofensivos que possam parecer, transformam a maneira com que os usuários se enxergam sem nenhum filtro ou edição, comparando sua real aparência com a versão padronizada e plástica. Um fenômeno chamado Snapchat dysmorphia mostrou que um grande número de jovens mulheres norte-americanas estão levando à cirurgiões plásticos fotos de si mesma com filtros, dizendo que é assim que elas querem parecer.

Devido a essa questão, segundo um estudo da Academia Americana de Cirurgiões Plásticos, a motivação de 55% das pessoas que fizeram rinoplastias em 2017 foi o desejo de sair melhor em selfies, principalmente entre jovens de 15 a 25 anos de idade. Além disso, a manipulação das imagens preserva um padrão de beleza excludente, valorizando corpos com curvas, magros, longas pernas e cinturas finas, que passem uma ideia de perfeição não existente, quem consome regularmente as fotos alteradas nas redes sociais em algum ponto passa a acreditar que aquilo que vê seja a norma. Isso aumenta o risco de distúrbios como anorexia ou bulimia, podendo até mesmo desencadear em problemas como depressão ou ansiedade pelo desejo de se encaixar nas formas mais valorizadas.

Portanto, é necessário que mudanças de atitude sejam tomadas a fim de que esses distúrbios causados pelas fotos em redes sociais se tornem menos frequentes. É responsabilidade tanto de grandes influenciadores quanto das plataformas buscar maneiras de quebrar padrões e mostrar a verdadeira realidade por trás das imagens postadas, concretizando uma série de ações que busquem transformar a plataforma em um espaço menos tóxico para a saúde mental de quem a usa, como a decisão do Instagram em retirar o número de curtidas em suas publicações e a ferramenta de denúncia de filtros. Igualmente, é preciso que conversas e debates sobre a questão sejam estimuladas dentro das escolas, contendo a presença de psicólogos capazes de explicar os malefícios a saúde mental.