A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 08/10/2020
Na série distópica “Years and Years”, uma jovem insatisfeita com o corpo, recorre a implantes tecnológicos a fim de se tornar mais parecida com a Inteligência artificial. De modo semelhante, o uso indiscriminado de filtros e outras formas de manipulação de fotos nas redes sociais, têm mudado a forma como as pessoas encaram a autoimagem. Tal preocupação excessiva com os retoques, pode acarretar ou agravar transtornos de saúde mental como a disformia corporal.
Antes de tudo, é preciso compreender que o uso de filtros no Instagram ou Snapchat pode levar a insatisfação com a própria imagem. Nesse sentido, essas ferramentas de manipulação, permitem ao usuário mudar algumas características faciais, levando-as a se parecerem com determinados padrões de beleza irrealistas. Além disso, o constante uso desse recurso pode levar a algumas obsessões. De acordo com o filósofo Schopenhauer, em sua obra “O mundo como vontade e representação”, o homem se torna escravo de suas vontades, pela necessidade de satisfazê-las vez após vez. Assim, descontentes com suas verdadeiras faces, o próximo passo é recorrer a procedimentos estéticos.
Outrossim, tem crescido a procura por cirurgias plásticas faciais. De acordo com levantamento da rede britânica BBC, cerca de 55% das pessoas no Reino Unido, têm procurado profissionais de estética para transformar seus rostos o mais próximo possível do idealizado nos filtros. Porém, ainda que esses procedimentos sejam minimamente invasivos, nem todas as pessoas que acessam as redes sociais e são influenciadas por elas, têm igual acesso econômico para a realização dos procedimentos. Nesse sentido, os riscos tornam-se maiores, tanto para a saúde mental quanto para a saúde física, uma vez que tais pessoas podem recorrer à clandestinidade e sofrerem consequências graves.
Portanto, visando a minimizar os impactos negativos produzidos pela manipulação de imagens nas redes sociais, é preciso investir em campanhas de elevação da autoestima e bem-estar mental. Nesse sentido, movimentos sociais, utilizando a própria Internet, podem contribuir reunindo e compartilhando depoimentos de pessoas que enfrentam e superaram problemas de aceitação com o próprio corpo, acompanhado de fotos sem filtros e da hashtag sobre o assunto, para que alcance o maior número de usuários. Além disso, as empresas que mais impactam a saúde mental, como Instagram e Snapchat, devem estar alinhadas com a responsabilidade social, e assim, não disponibilizar filtros que insinuem alterações plásticas. Dessa forma, usar filtros será uma grande diversão para todos, e não mais, uma fonte de aflição para alguns.