A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 08/10/2020

Muitos estudos têm relacionado o tempo de uso da internet com questões de saúde mental. Depressão, transtornos alimentares e suicídio parecem estar diretamente ligados a vida online. A manipulação de imagens com o intuito de aparentar ter uma vida sem defeitos é apenas um dos motivos que estimulam a permanência cada vez maior dos jovens nas redes e, ao mesmo tempo, corroboram com maiores índices de distúrbios e transtornos que afetam a saúde mental dos indivíduos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta  de racionalidade por parte do usuário aliado ao  silenciamento a nível social sobre a temática nas redes sociais e seus malefícios, impedindo, desse modo, a resolução desse impasse.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de racionalidade presente na questão. Exemplificando, de acordo com estudos da Instituição de Saúde Pública do Reino Unido, redes sociais são mais viciantes que cigarro e álcool e, dentre elas, o Instagram foi avaliado como o mais prejudicial à saúde mental dos jovens. Tal fator pode ser explicado pela quantidade exacerbada de imagens manipuladas e editadas, promovidas pela empresa, que contribuem para que os usuários estejam em uma constante disputa pelo melhor filtro e pelo maior número de likes. No entanto, esse comportamento, no âmbito virtual, pode levá-lo a constantes frustrações e ansiedades que o impedem de tornar a perfeição algo real.

Além disso, o documentário “Dilema das redes”, exibido na plataforma Netflix, revela a nomeada “tecnologia persuasiva” que consiste na tecnologia usada pelos donos dos aplicativos sociais e aplicada ao comportamento psicológico humano. O objetivo é criar hábitos inconscientes para que a pessoa tenha cada vez mais desejo de usufruir das redes e como consequência final gerar uma mudança em seu comportamento para que se sinta cada vez mais dependente dos filtros, edições e postagem das imagens, por exemplo. Tal prática beneficia os aplicativos das redes por incentivarem o maior número de adeptos a estes comportamentos. Por outro lado, é possível identificar que existe um impacto muito maior do que se imagina no aspecto psíquico e a falta de informação contribui para esse cenário.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar essa problemática. Para que isso ocorra, é dever do Poder Legislativo a elaboração de condições e leis que sejam severamente fiscalizadas sobre as empresas virtuais como, por exemplo, a limitação de suas autuações na manipulação do comportamento dos internautas, começando pela extinção dos excessivos editores e filtros de foto, que podem ocasionar transtornos e vícios prejudicando a saúde mental e estimulando o vício da busca pela fuga da realidade. Assim, será possível melhorar as condições à longo prazo.