A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 08/10/2020

Em um dos contos clássicos da Disney, a princesa Cinderela recorre à ajuda de sua fada madrinha para adequar-se aos padrões estéticos e ter livre acesso ao baile. De maneira análoga, nota-se uma crescente busca por procedimentos estéticos a fim de conseguir aceitação nas redes sociais. Tal conjuntura tem naturalizado esses processos, o que gera um impacto nocivo na saúde mental dos usuários das referidas plataformas. Assim, cabe analisar de que forma as pessoas são influenciadas a realizarem essas intervenções e como isso afeta a saúde mental dos usuários dessas redes de interação.

Inicialmente, deve-se frisar o poder depositado nas mãos de algumas pessoas na internet. Essas celebridades conseguem influenciar milhares de seguidores com suas ações, e algumas aplicam esse papel para divulgar produtos e serviços, inclusive a realização de procedimentos estéticos. Nesse sentido, há uma naturalização dessas intervenções, que podem, inclusive, ser nocivas à vida humana. Segundo uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC), a busca por intervenções cirúrgicas com fins estéticos cresceu 25,2% de 2016 para 2019. Fator esse que demonstra a persuasão que os “influencers” digitais têm na vida das pessoas.

Ademais, cabe ressaltar os problemas mentais causados pela superexposição de jovens e adolescentes às falsas sensações de perfeição. De 2002 para 2012 houve um crescimento de 33,5% na taxa de suicídio entre jovens de quinze a dezenove anos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, fato que coincide com o advento das redes sociais, amplamente difundidas nos anos 2000. Vale ressaltar que os adolescentes passaram a comparar mais facilmente suas vidas às de outras pessoas, e como só veem coisas perfeitas nas telas, concluem que suas vidas são ruins e decidem por acabar com elas. Nota-se então o papel ruim que o marketing digital gera na vida das pessoas.

Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de atenuar os problemas causados pela implantação de padrões socialmente exigidos. Isso se dará por meio da criação de um comitê de discussões na Organização Mundial da Saúde, direcionado exclusivamente às discussões relacionadas ao impacto que as redes sociais causam na vida das pessoas e como mudanças podem ser implementadas, taxando as empresas quando elas descumprirem os acordos. Consequentemente, a internet se tornará um terreno fértil para o crescimento pessoal e a valorização da beleza única que existe em cada ser humano.