A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 16/10/2020
O documentário “O Dilema das Redes” retrata as mazelas ocultas, para os usuários, advindas do uso das redes sociais, bem como as suas consequências, a exemplo da explosão de casos de suicídios infantis, devido a busca por padrões de beleza, a partir da manipulação de imagens que projetam indivíduos fora de uma realidade palpável. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema alicerçado na idealização de indivíduos perfeitos e na escassez de medidas que evitem a propagação desse ideal utópico da sociedade.
Em primeira análise, padrões de beleza ideais são cada vez mais disseminados nas redes, seja por fotos ou por vídeos, e encorajados por ferramentas, como filtros de efeitos especiais para fotos, moldadoras de um ideal a ser seguido. Em destaque ao pensamento de Schopenhauer, o qual critica a busca do homem em querer satisfazer os seus desejos, as redes de compartilhamento, dessas imagens alteradas, diverge a premissa do filósofo, visto que seu principal objetivo é satisfazer o desejo da busca pela perfeição dos seus usuários. Deste modo, constata-se a ligação dessas redes a uma idealização ilusória, a medida que, segundo Schopenhauer, é impossível o homem estar plenamente satisfeito.
Além disso, em alusão ao documentário, citado anteriormente, é introduzido a relação que as ferramentas tecnológicas têm com o psicológico do usuário, visto que quanto mais “curtidas” ou aceitação positiva de determinada comunidade virtual, o cérebro humano libera hormônios que geram a sensação de benquisto. Paralelamente à citação de George Orwell: “O pior inimigo de uma pessoa, é o seu sistema nervoso.”, para se obter falsas recompensas , advindas da liberação desses hormônios, evidencia-se a manipulação de imagens e a procura de uma perfeição utópica, por exemplo. Logo, presume-se que se há a manipulação dessas imagens e mecanismos que fomentem tal ato, o inimigo pode não ser, apenas, o cérebro humano, mas a falta de medidas que contenham o impasse.
Torna-se claro, portanto, a relevância de medidas corretivas à problemática em questão. Para que isso ocorra, é necessária a intervenção das empresas responsáveis pelo desenvolvimento dessas redes, a partir da contenção do acesso à ferramentas que propiciem a manipulação de imagens e o lançamento de campanhas expositivas, nas redes sociais, aos efeitos danosos da idealização de uma vida utópica. Isso, consequentemente, diminuiria o estímulo do usuário de uma rede social, por exemplo, de criar realidades ilusórias. Assim, haverá a resolução do impasse e a manipulação de imagens não se alicerçará na sociedade atual.