A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 12/10/2020

Em redes sociais, vê-se inúmeros “memes” do tipo “Eu no Instagram/Eu na vida real”, em que, primeiro, o usuário posta uma foto bem arrumado -muitas vezes com edição- e, depois, um retrato despojado de si mesmo. Esse tipo de conteúdo mostra o culto à imagem cada vez mais crescente e evidencia que a manipulação de fotografias nas redes sociais prejudica a saúde mental dos usuários ao vincular padrões de beleza que, na realidade, são impossíveis.

A princípio, vale destacar a florescente importância que a sociedade atual atribui para a aparência dos cidadãos. Nessa ótica, é possível analisar as produções cinematográficas que, em sua maioria, valorizam atores que se encaixam nos padrões preestabelecidos: pessoas magras, brancas, com dentes retos e brancos, dentre outros. Essa valorização de características -que muitas vezes só são atingidas por meio de procedimento estéticos- tem contribuído para a exclusão daqueles que não se encaixam nesses padrões, o que ocasiona a baixa autoestima destes. Além disso, fotos editadas e manipuladas são frequentemente divulgadas pelos usuários de redes sociais para que alcancem esse padrão de beleza idealizado, o que também contribui para prejudicar a saúde mental de terceiros. Desse modo, comprova-se que o culto à imagem é recorrente na modernidade e que, por valorizar características pouco naturais, excluem e diminuem aqueles que não se encaixam nos estereótipos.

Consequentemente, observa-se um número crescente de casos de ansiedade e depressão que, geralmente, estão vinculados à pressão social enfrentada pelos indivíduos para que atinjam os padrões de beleza vigentes. De acordo com levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde -OMS-, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população, o que garante ao Brasil o primeiro lugar dentre os países com mais casos de ansiedade no mundo e o quinto em ocorrências de depressão. Esses dados evidenciam que, apesar de empresas como o Instagram terem implementado suas políticas de manipulação de imagens, tornando-as mais duras e restritas, o povo brasileiro é ainda muito afetado pelas influências adquiridas na internet. Dessa maneira, revela-se que a intervenção constante de redes sociais no cotidiano dos cidadãos prejudica sua saúde mental e provoca o desejo de alterar seus corpos cirurgicamente e o sentimento de inferioridade em relação aos demais integrantes da sociedade.

Em suma, é necessário que as mídias, como redes sociais e produções cinematográficas, mostrem maior diversidade em suas ações, mediante campanhas publicitárias e exibições, visando maior inclusão e representatividade dos que não se encaixam nos estereótipos. Aliado a isso, é preciso que o Estado envie profissionais para atender adolescentes afetados pela depressão e ansiedade.