A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 13/10/2020

Na série “Black Mirror”, é retratada a história de Lacie, cuja vida é baseada em postar seu cotidiano mascarado nas redes sociais. De maneira semelhante, inúmeros usuários expõem conteúdos pessoais, em seus perfis virtuais, como fotos e vídeos sem relação com a realidade em que vivem, a fim de agir sobre os que estão do outro lado da tela. Dessa forma, milhares de pessoas são influenciadas pela manipulação de imagem nas redes sociais e são expostas aos malefícios à saúde mental causados pela autocomparação e pela tentativa de encaixe aos padrões impostos pela sociedade midiática.

A princípio, é válido destacar o conceito de Modernidade Líquida, do sociólogo Zygmunt Bauman, em que a sociedade passou a se constituir por relações sociais e econômicas  líquidas, efêmeras e superficiais. Nesse sentido, o ser humano busca, constantemente, o prazer a qualquer custo e o indivíduo tornou-se objeto e produto da cultura do consumo. Tal circunstância assemelha-se à utilização das redes sociais como forma de persuasão, por parte de diversas marcas, mediante à alteração da realidade e da imagem de seus contratados, de modo a apresentarem uma vida idealizada com o uso dos produtos e serviços dessas marcas. Com isso, os seguidores e usuários dessas mídias são alvos da divinização às imagens dos divulgadores e acabam por se autocomparar com os perfis vendidos.

Em consequência dos fatos mencionados, os padrões de beleza, os quais começaram a ser incorporados no século XX por meio de revistas, são mantidos e até mesmo elevados pelas redes sociais. Nesse contexto, a autocomparação faz com que as pessoas se distanciem de sua própria essência e procurem nos bens materiais a necessidade de satisfazerem suas necessidades, da mesma maneira que os influenciadores ditam em seus perfis. Tal fato, porém, é capaz de modificar a autoestima de diversas pessoas e, de acordo com o Departamento de Psiquiatria da Universidade de Montreal, o tempo empregado nas redes sociais em que há comparação social, tem relação com problemas mentais, a exemplo de ansiedade e depressão, principalmente na adolescência. Desse modo, os jovens deveriam aprender melhor e com responsabilidade sobre o uso das mídias sociais.

Em suma, é necessário que medidas sejam tomadas para reduzir os malefícios à saúde mental dos usuários das redes sociais. É fundamental que os funcionários de gestão das redes sociais- a exemplo do Instagram e Facebook- as maiores responsáveis pelo grande fluxo de acessos de todas as plataformas- criem regras de acesso e de utilização, como questionários e inspeção de veracidade de conteúdo, por meio de fiscalização virtual por parte da plataforma, para que haja a diminuição da alteração de imagem. Além disso, é vital que as escolas insiram, em sua grade, aulas de apoio aos jovens à inserção destes nas redes sociais. Assim, muitas pessoas não terão a vida igual à de Lacie.  Laciesérie citada.