A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 13/10/2020
No período renascentista, no século XIV, o culto à beleza era muito valorizado, sendo representado pela Vênus, arquétipo da beleza feminina, do quadro “O Nascimento de Vênus”, de Botticelli. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma busca pela perfeição, uma vez que as pessoas estão manipulando sua imagem, nas redes sociais, para se enquadrarem neste estereótipo. Nesse contexto, torna-se evidente os padrões de beleza elevados, bem como a má utilização das redes sociais.
Em primeiro plano, é preciso atentar que os padrões de beleza elevados não é um problema atual. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento de eventos históricos. Assim como na Idade Média, a perfeição é um símbolo positivo, pois uma aparência bela tem uma aceitação melhor na sociedade. Dados da pesquisa realizada pela marca Dove mostrou que apenas 4% das mulheres se definirem como belas. Dessa formam, é possível ver que a pressão em se encaixar é grave e afeta diretamente na autoestima das pessoas.
Outrossim, a utilização errônea das redes sociais ainda é um grande impasse para a solução da problemática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível da informação da população, colabora na consolidação do problema. Sendo assim, analisando as redes sociais das influencers, depara-se com um padrão de vida pouco realistas e dificilmente alcançáveis, desencadeando um sentimento de decepção e impotência. Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a manipulação da imagem. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando com o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista pra diferença, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei a Terra”.